MIGUEL CHUMÁQUER – 02/06/1995

A solução está na pequena cidade de Estrela, no Rio Grande do Sul. Logo ali, pertinho de Lajeado, Encantado e Garibaldi. Dizem que em Estrela o idioma oficial é o alemão. É de se supor, pois, que tal abundância de tedescos leve à descoberta de algum parente distante de Michael Schumacher em Estrela e adjacências Quem sabe, até, de algum antepassado indiscutível. Uma investigação rigorosa conduzida por alguém com um mínimo de disposição pode salvar a Fórmula 1 para os brasileiros. Confesso que tentei, nos últimos dias, ficar com o mérito todo para mim. Abri a lista telefônica de São Paulo e encontrei ali 16 Schumachers. Alguns promissores: Franz, Fritz e Hermann. Tinha até um Ralf, igual ao irmão de Michael. Mas todos me garantiram que não há parentesco, alguns sequer assistem às corridas, outros torcem para o Frentzen. Assim, passo a bola para os gaúchos. Cabe a eles, agora, acorrer aos cartórios, aos arquivos empoeirados das paróquias, aos tabeliões, para provar ao mundo que Michael Schumacher é brasileiro. Brasileiro, sim, como o Pelé, o João do Pulo e o Cid Moreira. Que seu tataravô esteve nos pampas no fim do século passado e deu origem ao ramo familiar do qual eclodiu o alemãozinho de queixo empinado que não se cansa de ganhar corridas. Ele tinha uma mercearia, ou um abatedouro, talvez uma charqueada, quem sabe não plantava pepinos, ou, melhor, era sapateiro, dos mais conceituados. Trazida à tona a verdadeira descendência de Schumacher, é só iniciar um processo junto ao Itamaraty para naturalizá-lo. Em pouco tempo ele terá um passaporte verde e estará torcendo para o Grêmio. Pode-se pensar em mudar seu nome, também, para Miguel. Aportuguesemos seu sobrenome para Chumáquer. Vai ser fácil, igualmente, ensiná-lo a falar Xuxa (Schú-scha, repetirá o professor, à exaustão), Flamengo, acarajé e Mocidade Independente de Padre Miguel (se ficar complicado, trocamos para Portela). Depois é só colocá-lo no Sambódromo, fazê-lo comprar um Fusca turbinado, levá-lo para o Nordeste nas férias, arrumar uma casa em Angra, acostumá-lo a uma bela feijoada, a um bom rodízio, a uma casquinha de siri com caipirinha e umas bramas, até o golpe final: encaixar o novo ídolo brasileiro da F-1 no Jô, no Gugu, no Jogo da Velha do Faustão, na Gabi e no Amaury Jr. E estará pronto nosso novo Senna, aquele que vai nos redimir, que subirá ao pódio com a bandeira verde-amarela, que trará de volta o Tema da Vitória às manhãs de domingo. Mexam-se, sulistas. O Chumáquer é nosso e ninguém tasca.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s