TROPPO TEDESCO – 08/09/1995

Há quem aposte que a carreira de Schumacher na Ferrari será curta. Dizem que quando ele encontrar pela primeira vez restos de molho de tomate na carenagem de seu carro vai pedir para sair. Não que ele prefira molho branco ou al pesto, nada disso. Mas sua obsessão pela organização impecável, germânica, é conhecida e será um problema no caos que reina em Maranello. Um caos divertido, reconheça-se. Estive visitando a fábrica da Ferrari dois anos atrás e fiquei meio assustado, confesso, com o clima de oficina mecânica reinante. Havia até um calendário de mulher pelada na parede, o que definitivamente Schumacher não gosta – do desleixo, digo, não de mulher pelada, que isso não sei se ele gosta ou não e também não é problema meu, afinal ele se casou outro dia e quem sou eu para opinar sobre essas coisas? É claro que existe um certo exagero na fama dos italianos. Não há notícias de que eles confundam espaguete com cabo de vela ou graxa com molho à bolonhesa. A equipe é competente e funciona ao seu modo, latino e barulhento. Se não ganha um campeonato há 16 anos, é porque nesse meio tempo apareceram Senna, Prost, a Honda, a McLaren, a Renault e o próprio Schumacher. E nenhum desses escolheu a Ferrari como parceira. O alemão acha que vai ser o dono do terreiro a partir do ano que vem e temo que ele esteja enganado se não mudar radicalmente seu estilo. Ontem, por exemplo, deu uma declaração inocente sobre Barrichello, piloto que ele não considera o companheiro de equipe ideal, e na mesma hora Jean Todt, diretor da equipe, foi logo avisando que não é ele o responsável pela escolha do segundo piloto da Ferrari. Quem manda aqui sou eu, bradou o baixinho francês. Uma solução para Schumacher é tentar se converter ao italianismo. Não é a coisa mais difícil do mundo. Basta falar alto, agitar bastante as mãos em qualquer conversa, comer lasanha três vezes por semana, comprar uma lambreta e chutar o pneu do carro a cada abandono de corrida. Aprender alguns palavrões também pode ajudar, assim como jurar que sempre torceu para o Milan, dizer que chorou quando o Baggio chutou fora o pênalti na final da Copa e garantir que adora Luciano Pavarotti. É provável que Michael até goste. Pizza é muito melhor que chucrute e salsicha, o Milan é muito mais time que o Bayern de Munique e não há tenores na Alemanha com o vozeirão de Pavarotti. E as mulheres italianas, então? Bem, quanto a isso Schumy não vai poder fazer muito. Quem mandou casar?

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