CUBA! – 21/11/1997

Descobri um país onde se cascateia mais do que aqui. A Áustria. Os caras lá gostam de Fórmula 1. Já tiveram pelo menos dois grandes pilotos, o Jochen Rindt e o Niki Lauda. O Rindt morreu, coitadinho. Mas o Lauda está vivo da silva e adora aparecer. Com boné da Parmalat, claro. É um baita arroz de festa. O tipo de sujeito que quando é preciso “repercutir” alguma coisa, como a gente diz no jornalismo, é só telefonar.

Aqui no Brasil também tem um pessoal assim, cativo da mídia. O Jô Soares e o Washington Olivetto, por exemplo. No sufoco, se o editor pede para ouvir alguém para dar uma opinião, seja sobre a violência urbana ou a proibição de venda de camisinhas no Paraná, é só ligar para o Jô ou para o Washington. Eles estão sempre disponíveis. O Lima Duarte também.

O Lauda é assim. Daí que nessas fases de vacas magras, sem notícias, os repórteres austríacos ligam para o Lauda e pedem para ele dizer alguma coisa. “O quê?”, ele pergunta, e o jornalista dá uma risadinha. “Qualquer coisa, Niki, você sabe…”

Estou contando isso apenas para contextualizar. É porque ontem, quando cheguei ao meu escritório, o fax estava cuspindo um despacho da APA, uma agência de notícias austríaca. O título: “Lauda propõe um GP de Fórmula 1 em Havana”.

Uau! Dessa vez o pessoal se esmerou. Corrida em Cuba! E tinha até declaração do Lauda. “Fico muito feliz em saber que o regime cubano está refletindo sobre a possibilidade de dar nova vida a uma velha tradição”, disse o ex-piloto.

Sensacional. A APA informa que Bernie Ecclestone também é um dos defensores da idéia. Lauda foi além, garantindo que o traçado proposto por uma delegação cubana com a qual se reuniu “é muito difícil e seletivo”. O circuito, de rua, passaria pela parte histórica de Havana e pela área mais moderna de El Malecón.

Cuba já teve, de fato, algumas corridas extra-oficiais de rua, na década de 50, antes da revolução comandada por Fidel em 59. Pouco antes de tomar o poder, aliás, um comando castrista sequestrou Juan-Manuel Fangio por alguns dias, num dos mais rumorosos episódios políticos da época. Fangio foi muito bem-tratado por seus sequestradores e fez elogios públicos a eles quando o libertaram. Anos depois, encontrou-se com um dos revolucionários que participou da ação e ficaram amigos.

Mas daí a imaginar um GP em Cuba vai uma distância astronômica. É uma pena, porque seria lindo ver aqueles carrões capitalistas no último reduto de uma utopia comunista que anda meio capenga, muito por culpa do vizinho americano e seu embargo ridículo.

Não arrisco mais falar em corridas fora do circuito Europa-Japão-Austrália-Canadá-América do Sul. Nos últimos anos entraram e saíram do calendário GPs na China, Coréia do Sul, Malásia, Moscou, só não falaram em Marte, ainda. Por isso, calo-me sobre as chances de uma prova em Havana. Mas que vou torcer, isso vou.

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