DIÁLOGOS REVELAM A INTIMIDADE DO “NEGÓCIO F-1” – 15/11/1997

A Fórmula 1 passou por golpes duros em sua credibilidade no último mês. Primeiro, uma punição exagerada a Jacques Villeneuve no Japão. Depois, o papelão de Michael Schumacher em Jerez, que só não teve maiores consequências porque o alemão da Ferrari acabou se dando mal numa manobra suja.

Na sequência, a absolvição do piloto no dia da corrida e a convocação para dar explicações à FIA no dia seguinte. Armada até os dentes, a Ferrari fez vazar gravações clandestinas das conversas de box entre o engenheiro Jock Clear e Villeneuve que apontavam na direção de uma solene marmelada combinada entre a Williams e a McLaren.

Na terça-feira, todo mundo foi chamado ao Conselho Mundial da Federação Internacional de Automobilismo. McLaren e Williams foram inocentadas. Schumacher teve o vice-campeonato cassado. Punição simbólica, mas um aviso: se alguém fizer de novo, pode até perder o título. Quem quiser acredite.

Na quarta, a oposição na Inglaterra acusa o partido do primeiro-ministro Tony Blair de ter recebido doação de Bernie Ecclestone no valor de U$ 1,7 milhão para sua campanha eleitoral. Dias antes, o governo britânico havia liberado a propaganda de cigarros na F-1, uma exceção à legislação proibitiva em outros esportes.

Um mar de lama? Não exatamente. Na verdade, estes episódios esclarecem o caráter mercantilista da categoria. Não devem surpreender ninguém. Estão envolvidos os interesses de corporações gigantescas como Renault, Goodyear, Mercedes, a indústria tabagista como um todo, Ford, Bridgestone, Honda, Peugeot, Shell, Elf, Benetton…

Não é muito diferente do futebol da Nike ou do tênis da Diadora, ou ainda do basquete Reebok, ou do atletismo Adidas. O esporte é uma expressão orgânica da globalização. Quem pode mais chora menos. Dinheiro é a regra. Em seu nome, regulamentos são rasgados.

Veja nesta página a reprodução literal dos trechos gravados dos diálogos nos boxes em Jerez. Eles foram publicados no último sábado, dia 8, pelo jornal inglês “The Times”. Não são uma peça de acusação, nem de defesa. São, apenas, reveladoras de uma intimidade desconhecida do grande público — e que não fazem da F-1 melhor ou pior do que ela sempre foi.

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