AMIGO DA ONÇA – 12/11/1999

Depois do GP do Japão, muita gente se perguntou se Schumacher não poderia ter-se esforçado um pouco mais para ajudar Irvine a ser campeão do mundo. Ele deveria ter largado melhor, atacado Hakkinen, mudado a estratégia para um pit stop, deveria fazer alguma coisa, afinal.

Bem, parece que seu esforço, digamos, um pouco abaixo do normal teve uma ótima razão de ser. A julgar pelo que Irvine vai contar em seu livro, que será publicado até o fim do ano, Schumacher não deveria nem olhar mais na cara do irlandês.

Eddie confessa ter tido parcela de culpa pelo acidente do alemão em Silverstone. Para refrescar a memória: na primeira volta, ele estava à frente do companheiro, que tentou uma ultrapassagem na curva Stowe. Os freios traseiros falharam e Michael passou direto, cruzou a pista, a caixa de brita e foi parar nos pneus, quebrando a perna direita.

Irvine admite, na sua autobiografia, que retardou a freada para impedir a ultrapassagem. Diz que só iria abrir para Schumacher quando a equipe ordenasse, pelo rádio. Mas Michael tinha motivos para tentar a manobra logo no início. Ele largara mal, para variar, caíra para o quarto lugar, e os dois carros da McLaren já começavam a ensaiar uma disparada na frente.

Era preciso se livrar de Irvine rapidamente, para não perder o contato com Coulthard e Hakkinen. Sabendo que Eddie, por contrato, tinha a obrigação de mais cedo ou mais tarde abrir caminho, não quis adiar a ultrapassagem. Como Irvine retardou a freada, ele foi para o lado sujo da pista, travou as rodas e, para piorar, os freios traseiros falharam.

Schumacher não é bobo e, embora nunca tenha acusado o companheiro, sabe que ele poderia ter facilitado as coisas, talvez, evitando o acidente. De certa forma, deu a resposta a Irvine na Malásia, largando como um foguete, mas entregando a posição logo nas primeiras voltas, como se dissesse: “É isso que você tinha de fazer na Inglaterra, cretino!”.

No Japão, no entanto, o alemão não comeu grama para ajudar o irlandês. Aliás, o próprio Irvine não suou sangue para ser campeão, e não seria Schumacher quem iria arriscar o pescoço pelo título do outro. É compreensível. Como também seria compreensível a atitude de Eddie em Silverstone, de defender uma posição no calor da disputa, não fosse a inutilidade da resistência. Em algum momento, Schumacher acabaria fazendo a ultrapassagem, por conta própria, ou por ordem dos boxes.

De tudo, pode-se tirar apenas uma conclusão: Schumacher quebrou a perna de bobeira. Da mesma forma que Irvine poderia tirar o pé para evitar confusões, o alemão também poderia esperar um pouco mais para não correr riscos.

Vai ser curioso, agora, ver a reação de Michael ao livro. O mais provável é que solte os cachorros sobre Irvine. E olha que cachorro é o que não falta na “villa” do alemão na Suíça.

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