TRINTA ANOS – 19/11/1999

Nada mais justo do que a lembrança dos 30 anos do milésimo gol do Pelé. Foi ontem, dia 19. A Globo fez um lindo trabalho, levou Pelé e Andrada ao Maracanã, o Rei bateu o pênalti de novo, o goleirão pegou, aquilo que todo mundo viu.

Mas passou em branco, neste ano, outro aniversário, também de 30 anos: do início da aventura brasileira na F-1. Foi em 69 que Emerson Fittipaldi embarcou para a Europa, dando a largada para a saga tupiniquim no circuito internacional da velocidade.

(Não estou esquecendo de Chico Landi, que na década de 40 já mostrava suas habilidades do outro lado do Atlântico, e que disputou seis GPs nos anos 50, marcando 1,5 ponto com um quarto lugar no GP da Argentina de 56 a bordo de uma Maserati. Mas foi algo eventual, Landi nunca participou de um campeonato inteiro, era de uma época em que era possível alugar um carro para correr aqui e ali. O marco inicial da história brasileira na F-1 é mesmo a ida do Rato para a Europa.)

A história é conhecida. Emerson fez sucesso na F-2, estreou na F-1 pela Lotus em 70, ganhou sua primeira corrida em 71 e foi o primeiro brasileiro campeão mundial, em 72. Voltaria a conquistar o título em 74, na McLaren, e deixaria o time em 76 para correr na Copersucar, o sonho frustrado de uma equipe nacional.

Em 80, Fittipaldi deixava as pistas de maneira melancólica. Voltaria alguns anos depois na Indy, para brilhar de novo em 89, ganhando o título, e vencer duas edições das 500 Milhas de Indianápolis.

Emerson e Pelé foram os grandes ícones do esporte brasileiro nos anos 70. Muito mais do que pontes, estradas e hidrelétricas, eram eles as expressões mais visíveis para o povão do Brasil Grande, da megalomania dos militares, da vitória do verde e amarelo.

Como se sabe, o Brasil Grande não passou de mais um embuste, ao contrário dos dois atletas, que sobreviveram à catástrofe geral pelo talento natural de que dispunham, jogar bola um, dirigir um carro o outro.

Trinta anos depois, Pelé continua por cima, vive na mídia, virou ministro, ainda é um ídolo, quase uma lenda ambulante. Seus feitos são lembrados, exaltados, é um orgulho do Brasil.

Emerson anda esquecido. Vez por outra aparece vendendo dietas pela TV, ou anunciando planos mirabolantes para as corridas de Indy no Rio, planos que em geral ficam no papel. Ninguém lembrou dos 30 anos de sua aventura ultramarina, que abriu as portas para gerações e gerações de pilotos brasileiros — algumas vitoriosas, outras nem tanto.

No mundinho do automobilismo, Emerson é hoje sinônimo de negociações nebulosas.

O piloto que ele empresariava na Indy, Hélio Castro Neves, pulou fora, a equipe pela qual corria, a Hogan, fechou e acusa Fittipaldi de calote, à boca pequena fala-se que ele nem pode ir para os EUA para não ser cobrado pelas dívidas que deixou.

Seria interessante que Emerson viesse a público para dizer, afinal, o que está acontecendo. E, tudo esclarecido, que fosse homenageado pelo que fez três décadas atrás. Sem ele, talvez o Brasil nunca tivesse conhecido Piquet e Senna.

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