RESUMO DE UM FATO MENOR – 16/05/2001

Li, ouvi e falei muito sobre a já famigerada troca de posições entre Barrichello e Schumacher no domingo – muito mais do que o fato, em si um episódio menor, merece. E por isso passei os últimos dez minutos tentando arrumar tema melhor para escrever, o que também não consegui porque estou com dor de barriga, e com dor de barriga não se consegue pensar direito.

Essa patuscada toda pode ser resumida em pouquíssimas palavras, e o que além disso se especular é, como diria aquele antigo ministro, com a devida adaptação, masturbação automobilística.

Portanto, esqueçam tempos de volta, diferenças no cronômetro, pit stops mais demorados, pneus gastos ou novos, etc, etc e etc. A situação é bem mais simples do que se imagina e a maneira mais apropriada de me livrar desse assunto é reduzi-lo ao que minha dor de barriga exige:

1. Barrichello não disputa o título. Não porque é um pobrezinho brasileiro discriminado pelos poderosos europeus, mas porque chegou à Áustria com 14 pontos contra 36 do Schumacher, porque o Schumacher é melhor e nas 23 corridas que disputaram juntos ganhou 12 contra uma do Rubens, e largou 21 vezes à sua frente. Portanto, se a Ferrari tem de apostar em alguém, é no alemão.

2. Ordem de equipe é a coisa mais antiga do mundo, embora esportivamente não agrade a todos. Mas e daí? Em 1999 o Schumacher parou o carro para o Irvine ganhar na Malásia e ninguém transformou o irlandês no anticristo das pistas.

3. Barrichello podia ter vencido a corrida se tivesse conseguido escapar do Coulthard quando estava na liderança, e nada do que se discute agora teria acontecido. Chegar em segundo ou terceiro para ele é a mesma coisa. Para o Schumacher, não. Não dá para tirar sua razão. Um título pode ser decidido por dois pontos. Lauda ganhou em 1984 por meio ponto.

4. Estava na cara que a Ferrari ia pedir o que pediu. E Barrichello, nessa situação, tinha duas alternativas: desobedecer e aguentar as consequências, ou acatar e ficar quieto. Não fez nem uma coisa, nem outra. Pior, choramingou publicamente, foi mal-educado com Jean Todt diante das câmeras de TV e jogou a opinião pública contra a Ferrari e Schumacher, entregando a posição a poucos metros da chegada e posando de vítima. E se deixou passar com medo de perder o emprego, ou se o fez para garantir o lugar no ano que vem, pensou em si próprio, em auferir alguma vantagem pessoal. Portanto, não tem direito de ficar reclamando pelos cantos. Fez parte da farsa, do teatrinho, é cúmplice, farinha do mesmo saco.

É o que permite dizer minha dor de barriga. Mais do que isso é esticar um assunto que, francamente, não vale a tinta do jornal.

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