A CULPA É DO BIN LADEN – 21/12/2001

O Prost está apelando. Ontem, colocou a culpa pelo fracasso de sua equipe em Osama Bin Laden. Não estou exagerando, nem forçando a barra. O francês, grande piloto e péssimo empresário, disse que os atentados de 11 de setembro brecaram as negociações que estava fazendo com um príncipe árabe qualquer, que estaria disposto a injetar dinheiro em sua equipe. Seria sua salvação. Mas quando o World Trade Center veio abaixo, o príncipe fugiu, saiu de cena, desapareceu nos escombros.

É incrível como na F-1 sempre aparece um príncipe árabe disponível para rasgar seus petrodólares em times falidos. Talvez porque seja fácil inventar os nomes, e ninguém vai checar se sujeitos chamados Al-Khalid ou Habib El-Kibe existem de verdade. É uma forma de demonstrar saúde financeira aos menos crédulos: olha aí, até os árabes querem minha equipe, e eu continuo no comando!

Só uma vez árabes de verdade injetaram dinheiro na F-1, e não foi pouco. Nos anos 70, a Williams caiu nas graças de Alá e, vejam só, a família de Bin Laden foi uma das que investiram pesado na equipe. Que soube aproveitar, diga-se, saindo da lama e virando time grande.

Mas na Prost… Não vi ninguém de turbante nos autódromos ultimamente, por isso sempre desconfiei da história de que um príncipe rodeado de odaliscas teria alguma intenção de ajudar o francês, que nem muçulmano é.

Culpar Bin Laden está virando atitude padrão para fracassos de todo tipo, essa é a verdade. As verbas publicitárias mínguam porque o as torres gêmeas desabaram. A Argentina entra em crise porque caiu um avião no Pentágono. Empresas demitem a rodo porque a CIA não sabe em qual caverna está o terrorista. E agora o carro azul de Alain Prost não sai do lugar por causa do Taliban.

O que mais me intriga nesse ocaso patético de Prost é que ele teve como parceiro um sujeito sério, rico e disposto a fazer daquilo uma equipe de verdade, Pedro Paulo Diniz. Alain estava no fundo do poço no final de 2000 quando o brasileiro surgiu do nada, pagou os motores Ferrari, gastou os tubos e traçou seus planos. Que se fossem levados adiante, com a ajuda de Prost, poderiam salvar o time, quem sabe até transformá-lo em um empreendimento brasileiro, com dinheiro daqui, pilotos daqui.

Mas Prost não quis largar o osso. Azar dele. Ficou só com o osso. Pedro Paulo pulou fora quando percebeu que era mais fácil ganhar de Schumacher na pista do que convencer a toupeira anã de que estava afundando a equipe. Para Diniz, dane-se. Ele tem o suficiente para amargar prejuízos e já partiu para outra, criando a F-Renault no Brasil.

Para Prost, resta jogar a culpa em Bin Laden. E processá-lo se um dia alguém o encontrar.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s