A HORA DAS MONTADORAS – 28/12/2001

Podem esquecer a Fórmula 1 da maneira como a conhecemos hoje. Depois que a Ferrari aderiu ao levante das montadoras, com as primeiras declarações de seu presidente Luca di Montezemolo sobre o assunto, Bernie Ecclestone e seus sócios podem começar a procurar outra galinha que bote ovos dourados. A categoria vai mesmo para as mãos das fábricas. O nome que terá é detalhe. Se Bernie & cia. baterem o pé pela marca “Fórmula 1”, sem problemas. Ficam com a marca, mas sem equipes.

Para quem está boiando no assunto, um resumo. No início do ano, a Associação dos Construtores Europeus de Automóveis (Acea), cujo presidente é o principal executivo da Fiat (dona da Ferrari), lançou a isca. As fábricas envolvidas na F-1, descontentes com a divisão de seu bolo financeiro, estavam pensando em criar uma categoria rival a partir de 2008, assim que as equipes que elas, montadoras, controlam estiverem desvinculadas do famoso “Pacto da Concórdia”. Este documento, o pacto, vale até 2007. É um compromisso das atuais 12 equipes da F-1 com seus organizadores, a FIA, no lado esportivo, e a holding capitaneada por Ecclestone, chamada Slec, que tem 75% de suas ações nas mãos de um grupo alemão de entretenimento, o Kirch Media.

Muito bem. A decisão da Acea causou um certo bafafá, mas ficou por isso mesmo, até que no final de novembro a entidade voltou à carga para informar que já tinha montado uma empresa para gerir a tal categoria a partir de 2008. Ôpa, o negócio era mais sério do que se pensava. Aí vem Montezemolo e sai falando que as coisas vão mudar, que as fábricas merecem mais dinheiro, que Ecclestone fica com muito, e que se fosse só ele tudo bem, mas esse grupo alemão, sai fora!

Por isso Bernie, prevendo que tal movimento fosse acontecer mais dia, menos dia, vendeu tão rápido a maior parte das ações da Slec. O mico na sua mão agora é desprezível. Os alemães, sim, terão de sentar para negociar. A F-1 como negócio, hoje, não vale um tostão. Quem a compraria sabendo que daqui a cinco anos suas equipes vão debandar?

O grito de liberdade das montadoras partiu de Fiat (Ferrari), BMW (Williams), Ford (Jaguar), DaimlerChrysler (McLaren) e Renault (dona da ex-Beneton). Honda e Toyota foram convidadas a participar da nova empresa. Essas fábricas atuam ou controlam oito das 12 equipes da F-1. Só Arrows, Sauber, Minardi e Prost são avulsas. Não dá para imaginar a F-1 sem a Ferrari, ou sem times como McLaren e Williams, que vão aonde seus parceiros mandarem.

Vai virar um Mundial de Marcas, enfim. A F-1 ficou cara demais para aventureiros. Ninguém mais monta uma equipe com um carro na mão e uma ideia na cabeça. Se é bom ou ruim, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: Bernie mais uma vez enxergou na frente e se livrou do ônus de ser o homem-forte de uma categoria fantasma.

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