DOZE MESES – 28/12/2001

Em 2001 me assustei com o acidente de Villeneuve e Ralf na Austrália, achei o máximo a atuação de Schumacher na chuva em Sepang, vibrei com o Montoya passando o Michael e tive pena de Barrichello em Interlagos, me diverti com o “mantenha a distância” pintado nos carros da Williams em Imola, comi uma magnífica paella em Barcelona mas me perdi na estrada para voltar ao hotel, passei mal depois de entornar litros de leite em Zeltweg, fiquei num quarto com cheiro de mofo em Mônaco, ouvi Bossa Nova em Montreal, descobri uma cerveja chamada Desperado em Nürburgring, minha mulher encheu a cara em Paris, jantamos na beira de um lago na casa do pessoal da Globo em Magny-Cours, conheci a filha do Galvão, um doce, e o Graminho, outro doce, fiquei sem a chave da casa em Silverstone, vi o Schumacher ser tetra na Hungria e não precisei subornar nenhum policial em Budapeste, aluguei um Audi TT na Bélgica, fui visitar o Burti no hospital, fiz um minuto de silêncio em Monza, vi os EUA de perto depois dos atentados, joguei bola em Suzuka, comprei um Fissore, reformei um Candango, estive em três exposições de carros antigos, fiquei horas grudado na TV em 11 de setembro, li o livro do João Pedro, escrevi para a “Quatro Rodas”, aprendi a comer peixe cru num ótimo restaurante japonês em São Paulo, fui a poucos jogos da Portuguesa, adorei ver o São Caetano na final, torci pelo Atlético Paranaense, cheguei a desejar que a seleção ficasse fora da Copa, me decepcionei com o Pelé, fui a três programas de TV, perdi meu emprego na Jovem Pan, coloquei meu apartamento novo para vender, comprei um carro para minha mulher, acompanhei o nascimento dos quadrigêmeos do amigo Dilson, compus o hit infantil “Nuvenzinha” para fazer meu filho mais velho dormir (“A nuvenzinha/que mora lá no céu/mora lá no céu/onde vive o avião…” etc.), encontrei as historinhas da Disquinho em CD, ensinei a ele o hino da Portuguesa, fiquei cinco dias no hospital com o caçula, que já está começando a falar, passei uma semana no Club Med, escrevi muito, li grandes livros, assisti à Casa dos Artistas, ao No Limite, ao Auto da Compadecida, acompanhei o sequestro do Silvio Santos a distância, montei uma rede de computadores no meu escritório, fui a um show do Caetano, tive um estiramento na panturrilha, andei de muletas, dei boas risadas, muitas, me irritei algumas vezes, ganhei amigos, perdi tempo.

Tudo em 12 meses. Vivi mais um ano. Tem outro pela frente. Que seja bom para todos.

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