BRASILEIRO, ESSE CHATO – 27/06/2002

A chave do Brasil é a maior baba. E colocou duas seleções na semifinal.

Quando pegar um time de verdade, morre. Pegou a Inglaterra, não morreu.

Felipão é retranqueiro. E a seleção tem o melhor ataque da Copa.

Ronaldo está bichado e não consegue nem andar. É o artilheiro.

O joelho vai tirar Rivaldo da Copa. É o vice-artilheiro.

Barrichello nunca vai ganhar uma corrida com Schumacher na pista. Ganhou.

A Ferrari mandou Schumacher não passar. Ora, tenham dó.

Deixo a Copa para quem entende, não sem antes dizer que estou adorando acompanhar a ginástica verbal dos comentaristas que, ressentidos pelo fato de não estarem no Japão e nem na Coreia, vêm-se contorcendo para manter suas teses furadas pré-Copa de pé, brigando com os fatos, torcendo contra.

Vou-me limitar ao caso de Barrichello. O cara faz uma primeira volta excepcional em Nürburgring, que se fosse de Senna entraria para os anais como a melhor primeira volta da história da F-1, etc. e tal. Abre lá seus três, quatro segundos para Schumacher, o melhor piloto do mundo, que quando se aproxima demais roda e perde o contato. Na volta do segundo pit stop, o alemão dá a impressão de que vai passar. Não passa. Ah, a Ferrari deixou o Barrichello ganhar por causa do julgamento, para limpar a barra, etc.

Maldade pura. Mau-humor. E, acima de tudo, besteira. Barrichello vinha virando todas suas voltas, até o segundo pit stop, na casa de 1min33s, 1min34s. Michael também. Rubens administrava a vantagem, mais ainda depois da rodada do alemão. Aí vem a ordem dos boxes: manter posições, não abusar do carro.
Essa é a prática da F-1, de qualquer esporte. Se um time está ganhando de 5 a 0 e faltam 15 minutos para acabar o jogo, começa a tocar a bola e deixa o tempo passar. É a coisa mais natural do mundo. O técnico tira o craque, para ele não correr o risco de levar uma botinada. E daí? O placar já foi construído.

A Ferrari, Barrichello à frente, construiu o resultado domingo até a segunda parada. Dali em diante, se Schumacher acelerasse para tentar chegar, Barrichello faria o mesmo para manter sua distância. Mas precisava?

Dizer que Schumacher tinha carro para passar e omitir que Rubens tinha carro para abrir é desonesto, é desmerecer uma vitória incontestável. OK, pode-se não gostar dessa história de “vamos poupar o carro”, ou “não vamos correr riscos”. Mas isso se faz, sempre se fez, a toda hora na F-1. Com Hakkinen e Coulthard, Senna e Berger, Hill e Ralf, Schumacher e Barrichello, qualquer um.

Há uma enorme diferença entre dizer que a Ferrari deixou Barrichello ganhar, insinuando que o time lhe deu um presentinho, e afirmar que a Ferrari não proibiu Rubens de vencer – ou seja, não interferiu na disputa, apenas zelando para que ela terminasse sem mortos, nem feridos. E foi isso que aconteceu.

Brasileiro é muito chato. Quando perde e quando ganha.

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BRASIL x INGLATERRA – 20/06/2002

OK, mala pronta. O de sempre, mais a amarelinha. Amanhã, enquanto vocês acordam de madrugada por aqui, ou nem dormem, estarei a postos em Nürburgring, solitário representante pacheco (por que o Juca não gosta do Pacheco?) no autódromo, à procura de uma TV para ver Brasil e Inglaterra. Digo solitário porque os colegas brasileiros que acompanham a F-1 não têm o hábito de pagar mico como eu, que em tempos de Copa vou à pista fantasiado de torcedor e quero que se dane o mundo.

Na sala de imprensa não sei se vai dar para ver. O pessoal da F-1 é muito mala nesse aspecto. Os aparelhos de TV não mostram nada que não seja a corrida. Antigamente dava para piratear canais locais, ver corridas da Indy e alguns jogos de futebol. Hoje em dia, não deixam.

Algum motorhome será a solução. Considerando que seis das 11 equipes são inglesas, duas italianas, uma francesa, uma japonesa e outra suíça, não terei grandes opções. OK, a Jordan, embora inglesa, é de um irlandês. E Eddie Jordan gosta de futebol. Pode ser uma alternativa. E a Sauber, neutra e com piloto brasileiro na parada, também.

O jogo vai acabar quase na hora do início dos treinos livres. Isso se não tiver prorrogação e pênaltis. Ótimo. Duro vai ser para os alemães. Alemanha x EUA começa com carro na pista. Não me espantarei se Michael Schumacher e Heinz-Harald Frentzen, boleiros assumidos, quebrarem seus carros antes para ver o jogo. Ou se um deles for flagrado com imagens da Copa em seus monitores de tempos dentro do cockpit.

Há mais ingleses do que brasileiros na F-1, contando mecânicos, jornalistas e agregados. Dependendo do que acontecer no Japão, serei hostilizado durante todo o fim de semana. Em caso de derrota, talvez eu peça dispensa desta corrida. Não vou ficar três dias num autódromo aguentando palhaçada de inglês.
De qualquer forma, tenho meus antídotos, respostas na ponta da língua para eventuais embates verbais. Vocês só ganharam uma Copa, e foi roubado. Inventaram o futebol e jogam mal pra burro. O Beckham é gay. O goleiro parece um dos três mosqueteiros com aquele bigode ridículo e seu rabo de cavalo esvoaçante. Nem técnico vocês têm. Tiveram de importar da Suécia. Da Suécia!

Além do mais, na F-1, e é para isso que estamos aqui, o Rubinho é melhor que o Button. Temos mais títulos e só não ganhamos mais corridas porque chegamos depois. Vocês são uns barbeiros ridículos, dirigem do lado errado da rua. O príncipe é um bobão, que trocou a belezura da Diana pela cara de buldogue daquela outra com nome de caneta. Só sabem fazer chá. Não têm caipirinha, nem picanha, nem carnaval. Aí chove o dia inteiro. Acham as Spice Girls o máximo porque nunca viram Banana Split. Nem carro vocês fazem direito. Vivem levando cacete dos italianos.

Acho que será o bastante para me deixarem em paz.

A MOÇA DE MONTREAL – 13/06/2002

Há onze anos a vi pela primeira vez. As costas nuas, visíveis quase ao nível da rua através de uma das centenas de janelas do Habitat 67, a construção de um arquiteto israelense às portas da Ilha de Notre Dame. É um conjunto de 158 apartamentos em estilo modernista, erguido para a Expo 67 em Montreal, cujo tema era O Homem e seu Mundo. Uma revolução: Moshe Safdie, o arquiteto, imaginava erguer conjuntos habitacionais mundo afora com sua técnica de empilhar caixas de concreto pré-fabricadas. Conseguiu amontoar 354 delas no Habitat 67, mas a coisa era cara demais, seus planos viraram pó.

Mas deixaram no caminho do autódromo aquele monumento da arquitetura moderna, a ele é impossível ser indiferente, e muito menos àquelas costas nuas que vi pela primeira vez, numa das janelas, onze anos atrás. E por anos alimentei a sensação de que só eu a notara, pois que ano após ano, indo para a pista, sempre procurei a moça de Montreal com suas costas nuas na janela. E sempre a encontrei, e dela nunca falei com ninguém, e ninguém, se a notou, um dia sobre ela falou comigo. As pessoas têm segredos.

Sua presença sempre foi um sinal da imutabilidade do mundo, ou do desejo que todos temos de que algumas coisas não mudem nunca, como a moça de Montreal com suas costas nuas à janela. O dia em que ela não estivesse lá, era o que eu pensava todos os anos, não valeria mais a pena voltar a Montreal.

E um dia ela não estava mais lá. Eu, sozinho no carro, passei como sempre devagar, procurando pelas costas nuas, e nada. Em silencioso desespero, parei o carro na avenida, desci a pé, pus-me a escrutar cada janela, e ela não estava lá. Voltei ao Brasil decidido a não mais voltar ao Canadá, mas como sempre minhas decisões não têm longo prazo de validade, ainda bem.

Elas estavam lá este ano, no mesmo lugar, na mesma janela. As costas polidas, o negro luzidio do ebonite mais brilhante do que nunca, o rosto de perfil, que eu nunca vi, sem braços, como nunca os teve, no mesmo canto de sempre, a zelar por uma sala naquela caixa de concreto, e por aqueles que vivem nela. Que são os mesmos de onze anos atrás, talvez um jovem casal, que talvez já tenha filhos, que lá vivem, que de lá nunca saíram, talvez apenas para que eu também me sinta vivo ano após ano.

A ausência da moça de Montreal naquele dia em que ela não estava lá, isso eu nunca compreendi. Nunca fui dado a misticismos, mas achei que era hora de parar de acompanhar corridas de Fórmula 1 já que a moça de Montreal não mais estaria lá para me oferecer suas costas nuas a cada incursão no autódromo barulhento e confuso. Mas ela voltou, ainda bem que continuei. Acho que eu não saberia o que dizer a ela se deixasse de passar por sua janela uma vez por ano.

BALADA EM MONTREAL – 07/06/2002

Pena que eu tenho de escrever esta coluna hoje. É que daqui a pouco vou para o bar do Villeneuve. Não o BAR, o carro. Não, esse eu agradeceria, mas não aceitaria o convite. O bar bar, mesmo, boteco, na verdade um restaurante moderninho, na esquina da Crescent com a Maisonnave, creio, aqui no centro de Montreal. Foi inaugurado no ano passado, mas não dava nem para passar perto, de tanta gente. Hoje o pessoal da BAR garante que não vai ter problema, é só chegar lá com o cartão x e a credencial y que tudo bem.

Espero que seja tudo de graça. Estou duro, o dólar anda subindo demais, as coisas estão difíceis neste ano. Não, não seria nada mal comer e beber na faixa, ainda mais na conta do Villeneuve. Alguns anos atrás, em 97, quando ele foi campeão, nós tomamos um porre. Não eu e ele, é claro, tinha um monte de gente junto, em Suzuka. E cada um pagou a sua. Aliás, ele não pagou nada, estava tão travado que saiu sem deixar um iene sequer.

Foi a festa de fim de temporada, embora faltasse ainda uma corrida para acabar aquele campeonato, e até hoje eu não entendi como o Villeneuve foi capaz de encher a cara de saquê com um monte de brasileiros que ele mal conhecia depois de tanta coisa ruim que lhe aconteceu naquele GP do Japão. Ele foi eliminado da corrida por desrespeitar bandeiras amarelas nos treinos, a Williams recorreu, ele participou da prova e depois perdeu os pontos. O título ficou por um triz.

Acho que passei a admirar o rapaz naquele fim de semana. O mundo desabando e ele nem aí, enchendo a cara de saquê. O Frentzen estava junto, é outro cara que eu admiro. E, no fim, deu tudo certo. Em Jerez, história mais do que conhecida, o Schumacher tentou arrancar a taça à força, deu-se muito mal e Villeneuve foi campeão, o pessoal todo comemorando de peruca amarela.

Já se vão quase cinco anos, é óbvio que o humor de Jacques não é mais o mesmo, o cara não ganha mais corridas, nem pinta mais os cabelos. Mas tem um boteco, o que é um bom sinal, e convidou meio mundo para ir lá hoje à noite. Eu teria mais assunto para esta coluna se pudesse escrever depois, mas paciência. Dizem que o Schumacher foi convidado, e que avisou que só vai se não tiver de pagar a conta. Daria uma bela história: alemão dá calote em canadense.

OK, vamos ver o que me espera no bar do Villeneuve, que se chama Newtown, que em inglês quer dizer o mesmo que Villeneuve, ou seja, algo como “cidade nova”. Mas seja lá o que for, tenho apenas duas opções: ou embarco na balada até amanhecer, para ver o jogo do Brasil, ou resisto aos encantos da noite quebequense (será que é quebequiana?) e vou dormir cedo, para poder acordar e ver o jogo do mesmo jeito.

Bem, um dia conto como foi.

SOBRE O HOMEM ARANHA – 06/06/2002

Tenho a ligeira impressão de que não se tem dado o devido valor no Brasil às vitórias de Hélio Castro Neves nas 500 Milhas de Indianápolis. Foram duas seguidas, façanha que não era alcançada por piloto nenhum desde 1970-71 com Al Unser, o pai. Essa corrida é algo muito especial, ainda que tenha perdido um pouco de qualidade após a cisão de 1996 que resultou na criação da IRL.

Seis anos depois, não há mais dúvidas de que a Cart perdeu muito mais com seu afastamento de Indianápolis do que os caipiras que decidiram montar uma liga paralela para correr em círculos. A IRL já é maior que a Cart, graças ao poder do mercado americano. Honda e Toyota, ao anunciarem sua decisão de correr nos ovais a partir do ano que vem, deram uma clara demonstração de que importa muito mais, para vender automóveis, mostrar seus produtos a caubóis de chapéu e bota do que investir numa categoria que se pretende internacional, mas que continua sendo vista com desconfiança na Europa, que não tem cobertura jornalística sistemática e que a cada dia que passa perde pilotos, equipes e fornecedores.

Daí que as duas vitórias de Helinho em Indianápolis aconteceram num momento em que a IRL já não é mais a bomba que se desenhava quando o dono do Motor Speedway, Tony George, resolveu montar seu campeonato, apostando única e exclusivamente na aura que cerca seu autódromo. Ao contrário, quem definha atualmente é a Cart. A Penske foi embora, a Reynard faliu, algumas de suas equipes se vêem obrigadas a correr nas 500, e em 2003, ao que se sabe, apenas a Ford continuará fazendo motores.

Portanto, as conquistas de Helinho devem ser observadas com mais atenção. Ele bateu pilotos bons, como Gil de Ferran e Paul Tracy, correndo com um carro ao qual não está acostumado, e contra especialistas em ovais. A Williams decidiu apostar em Montoya depois que o colombiano ganhou em Indianápolis. Villeneuve, quando se mudou da América para o mundo, também veio credenciado pelo banho de leite no “Winner Circle”. Pode ser o momento ideal para Hélio fazer aquilo que sempre sonhou: tentar a F-1. Ele não esconde de ninguém que a transferência da Penske para a IRL lhe tirou o prazer de correr em pistas de verdade, circuitos mistos, embora não conteste a decisão do time.

A Toyota vai testar o Homem Aranha, apelido que Helinho ganhou depois que passou a comemorar suas vitórias pendurado no alambrado. Já experimentou Cristiano da Matta, outro que não é bobo e percebeu que a Cart está indo para o buraco sem escalas. São dois nomes dos mais interessantes para uma equipe nova e rica, que tem objetivos evidentes de ficar por muito tempo na F-1.

Helinho está merecendo uma chance. E desconfio que, quando ela surgir na sua frente, vai agarrá-la como faria o Homem Aranha com sua teia infernal.

A F-1 EM TEMPOS DE COPA – 30/05/2002

Tudo deveria, claro, ser suspenso até o último suspiro d’Ela em Yokohama. Novelas, big brothers, páreos no jóquei, cortadas e enterradas, mergulhos em quaisquer piscinas, saltos e sprints, casamentos e divórcios, guerras e acordos de paz, encontros de cúpula, tiroteios nos morros, torturas nas delegacias e nos presídios, greves e protestos, eleições, desastres naturais, atentados terroristas, crimes e julgamentos, corridas de Fórmula 1.

Até o último suspiro d’Ela em Yokohama, Ela que terá sido chutada com vigor e esperança e raiva e desolação, e terá feito a alegria do mundo em um mês de chutes vigorosos, esperançosos, raivosos e desolados, tudo deveria ser congelado no planeta. Tudo.

Há um quê de arrogância e pretensão na F-1 em achar que suas corridas devem continuar no mês d’Ela. Pretensiosa e arrogante F-1 que há quatro anos programou para o dia da final no Stade de France um medíocre GP da Inglaterra, na medíocre vila de Silverstone para uma medíocre vitória de Schumacher que recebeu a medíocre bandeira quadriculada dentro dos boxes cumprindo uma punição mandraque em mais uma das medíocres ações do medíocre Jean Todt.

Mas Ela a tudo perdoa, até a arrogância e a pretensão, e generosamente procurará não incomodar nas duas corridas que os homens da F-1 ousaram marcar para Seu mês. Uma no Canadá, outra na Alemanha, num momento em que a F-1 discute manobras de bastidores, falência iminente de uma ou duas equipes pequenas, manipulação de resultados, pneu francês versus pneu japonês, na falta de assunto melhor.

Melhor faria a F-1 se se dobrasse à importância que Ela tem neste mês a Ela dedicado, suspendendo suas atividades para observar com atenção a idolatria e reverência que a Ela o povo, e quando digo povo falo em bilhões de pessoas de vários povos, dedica em Seu mês que se repete a cada quatro anos, sempre nos pares.

Ela será chutada durante um mês sem reclamar, sorrindo a um tiro mais certeiro e a um toque mais malicioso. E ao final de um mês dará por cumprida Sua missão de tornar o mundo, esta droga de mundo, um lugar menos hostil e perigoso, um lugar mais próximo daquilo que só existe na literatura e nas artes.

Ela silenciará diante do júbilo de uns e da tragédia de outros, e terá escrito mais um capítulo na história de uma espécie que fez do equívoco e da ignorância sua maior característica, mas que acertou ao pensar n’Ela na forma que Ela tem, e Lhe dando o destino que deu. E então Ela vai-se recolher para voltar daqui a outros quatro anos, em outras terras, para outros chutes e outros suspiros.

O que falta à F-1 é uma Bola.

NÃO ME QUEIXO – 24/05/2002

Não posso reclamar muito da vida. Ontem, dia útil, acordei perto do meio-dia. Estava sol, fui à praia. Em Menton, na Riviera Francesa. OK, praia de pedras, mas o azul-esverdeado do Mediterrâneo compensa. Muitas moças bonitas de peitos de fora. Digam o que quiserem, mas a gente sempre olha.

Deu fome, atravessei a rua e fui a uma creperia. Comi dois, “au Grand Marnier”. Tomei uma Coca-Cola, um expresso bem tirado, peguei meu Renault com 700 km rodados e fui dar uma volta em Mônaco.

A tarde estava convidativa, dei um pulo no iate da West. Mais moças bonitas, estavam distribuindo um livrinho que é útil para quem trabalha na F-1, serviram-me vinho tinto, francês, lá fiquei uma meia horinha jogando conversa fora e vendo o movimento.

Depois fui dar uma volta pelas redondezas, perto do porto, comprei a miniatura do Auto Union Type C que matou o Bernd Rosemeyer, eu estava louco por esse carro, tomei outro expresso, fui para a sala de imprensa, escrevi umas bobagens e reservei o restaurante para jantar com um pessoal amigo da Ferrari e outros jornalistas.

Ah, é boa essa vida de F-1. Muita gente não gosta de Mônaco, reclama que tem que andar demais, que o paddock é longe dos boxes, que é longe das cabines de rádio, que é longe da sala de imprensa, que é longe do estacionamento, que o trânsito é um caos, que a gente tropeça no público, que é tudo caro, e é tudo verdade.

Mas quando resolvi ser escriba, queria cobrir futebol, e poderia hoje estar me preparando para um jogo do Ituano, ou para um treino em Itaquera. Sim, claro, também poderia estar seguindo para a Coreia ou para o Japão para fazer a Copa, só que já desencanei, Copa na Ásia não dá, deveria ser proibido, japonês e coreano não sabe nem como é uma bola.

Já resolvi. Fico na F-1 mais um tempo, vou dar um jeito de cobrir as Olimpíadas de Atenas em 2004, faço a Copa de 2006 na Alemanha e penduro a caneta. Se alguém quiser me contratar para esses dois eventos, à vontade, é só telefonar. Mas não agora, que tenho de ir para o restaurante. Diz que tem um foie-gras espetacular, especial para os amigos da casa. Deixem recado na secretária eletrônica, prometo que respondo a todas as propostas.