SOMOS TODOS TOUPEIRAS – 22/08/2002

OK, jogo empatado. Se Barrichello fez questão, na Áustria, de mostrar que era ele quem deveria vencer aquela triste corrida, Schumacher igualou a disputa domingo em Budapeste num dos GPs mais bestas dos últimos tempos. Ao sair de seus dois pit stops, Rubens poderia ter sido ultrapassado pelo alemão, que quase brecou o carro para cumprir as ordens idiotas da equipe.

No final da corrida, esnobou o companheiro quando contou as circunstâncias da volta mais rápida da prova, quase 0s7 melhor que a de Barrichello. Demonstração mais eloquente de que estava andando com o pé no breque, impossível.

Em Zeltweg, Rubens deixou Michael ganhar. Em Hungaroring, Schumacher claramente deixou o brasileiro vencer. E Rubens, sabendo disso, que não teria com o que se preocupar, também não forçou o ritmo, o que torna impossível qualquer especulação sobre o que poderia ter sido esse GP da Hungria se não fosse essa camaradagem infame que, e é isso que incomoda, já está sendo encarada com naturalidade.

Se não dá para dizer quem venceria caso os dois estivessem disputando uma corrida para valer, dá para afirmar que, pelo menos, seria uma ótima prova se ambos fizessem o que deles se espera: competissem.

Mas podem esquecer. Jean Todt, com sua lógica mequetrefe, impede as disputas. Não gosta delas. É isso: Todt não gosta de corridas! Dá saudades até de Ron Dennis, um sujeito empertigado e arrogante, sim, mas que ao menos permitia que Senna e Prost se engalfinhassem na pista, porque sabia que no final o resultado seria o mesmo: vitória da McLaren.

Nem acho que Barrichello e Schumacher irão se pegar de tapa quando lhes derem a liberdade para tal. Michael, em geral, é mais rápido e, na maioria das vezes, não enfrentaria grandes resistências para ganhar. Mas de vez em quando Rubens chega muito perto, quando não o supera – como aconteceu em Zeltweg e Nürburgring neste ano, e como possivelmente aconteceria também na Hungria, a julgar pela pole e pela largada. Por que proibir isso?

Recebi algumas informações de cocheira de que as próximas etapas já têm seu destino resolvido. Como ninguém vai mesmo chegar perto da Ferrari, que fez um carro assombroso de bom, a equipe já teria decidido quem vai ganhar onde até o fim do Mundial: Bélgica e Itália, Schumacher; EUA e Japão, Barrichello.

Claro que pode não acontecer nada disso. Claro que se alguém da Ferrari ler isso aqui muito provavelmente vai dizer que é bobagem e que eu sou uma toupeira por acreditar em tudo que ouço. Bem, não me importo em ser chamado de toupeira. No fundo, sou apenas mais uma. O que a Ferrari vem fazendo com seus pilotos, torcedores e com os fãs da F-1 é exatamente isso: transformar todos em toupeiras.
Tirar a graça da competição em nome de objetivos “maiores”, como adoram dizer os de Maranello, é coisa de e para toupeiras, mesmo.

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