AS INCERTEZAS DA WILLIAMS – 12/12/2003

No fim, deu Pizzonia. A Williams vai oficializar nos próximos dias que seu segundo piloto de testes em 2004 será o amazonense, despachado sem dó nem piedade pela Jaguar em julho. Antonio estava mortinho, como a gente diz no esporte. E sua ressurreição tem vários significados.

O primeiro, e mais imediato, é o valor do piloto. Se a Williams lhe dá essa chance poucos meses depois de ele ser demitido, é porque Antonio merece, apesar de todos os erros que cometeu em seu período como companheiro de Mark Webber. O que ele fez na Williams em quase dois anos como test-driver foi levado em conta. Seu último teste pelo time, no início de outubro, serviu para confirmar que o rapaz não desaprendeu o ofício.

O segundo diz respeito aos dois novatos experimentados com estardalhaço no começo deste mês, Nelsinho Piquet e Nico Rosberg. A Williams não descartou nenhum dos dois para o futuro, mas considerou que ambos são jovens demais para assumir um cargo que, nos times grandes, tem cada vez mais importância.

O terceiro relaciona-se mais diretamente a Nelsinho. O anunciado contrato de longa duração que a ele teria sido oferecido, anúncio feito pelo pai, não passou de balão de ensaio. Piquet, o pai, fez uma jogada. Atirou ao vento o conteúdo de alguma conversa preliminar como se fosse fato consumado e deu com os burros n’água. A Williams confirmou o interesse no filhote, mas negou qualquer compromisso mais sério ou longo, ao menos por enquanto.

Por fim, o que me parece mais importante: as incertezas que cercam o futuro próximo da Williams, que o time tem de combater a partir de agora. Suas principais rivais, Ferrari e McLaren, já sabem com quem contarão em 2005. No time italiano, Schumacher e, muito provavelmente, Barrichello por mais um ano. Na equipe inglesa, Raikkonen e Montoya.

A Williams não tem ninguém, ainda. Perderá o colombiano no final da temporada que vem e a renovação do contrato de Ralf está complicada, porque o alemão não aceita uma redução de salário e já está flertando com a Toyota. Uma equipe desse porte não pode conviver com tamanha indefinição, sob o risco de prejudicar todo seu planejamento.

Há vários nomes em condições de assumir os carros da Williams em 2005, mas nenhum deles está fácil. Barrichello receberá uma proposta para ficar em Maranello. Webber está amarrado na Jaguar e pode custar caro. Villeneuve é uma opção, mas tem pretensões salariais altas e ninguém sabe se será capaz de voltar a guiar como em 1996 e 1997. Kimi, este a McLaren não vai deixar escapar. Alonso é outro cuja contratação seria complicada por causa de Flavio Briatore. Por fim, Button, este surgindo como uma aposta mais verossímil, e Coulthard, se alguém ainda acreditar nele.

Nesse quadro, Pizzonia pode até aparecer como alternativa segura, ao menos como segundo piloto. Conhece a equipe e a recíproca é verdadeira. Tem potencial, demonstrado principalmente no período pré-Fórmula 3000 e nos milhares de quilômetros a bordo dos carros da Williams em treinos. E, bem ou mal, disputou algumas corridas e já sabe o tamanho da encrenca.

Assim, que ninguém se espante se em 2005 Antonio tiver renascido de vez. E, depois de uma passagem pelo purgatório, num verdadeiro paraíso que é uma equipe de ponta.

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