NEM PALAVRÃO? – 18/12/2003

Recebi de um amigo uma pequena brochura de seis páginas editada pelos organizadores do GP do Bahrein com informações relevantes sobre venda de ingressos, condições de pagamento e responsabilidades civis no caso de um pneu voar na cabeça de alguém na arquibancada. Nada de muito novo, em toda corrida de F-1 é assim: os promotores avisam que automobilismo é um esporte de certo risco e que se acontecer alguma coisa, é cada um por si. Nem adianta correr atrás de advogado, que o da FIA é mais esperto.

Além disso, os torcedores são alertados para a proibição de filmagens ou gravações para uso comercial, ao mesmo tempo em que são avisados de que poderão todos eles ser filmados e gravados por quem de direito, e essas imagens serão usadas com fins comerciais em suas transmissões e documentários, e ninguém vai receber um dinar por isso.

(É óbvio. Se uma emissora de TV tivesse de pagar direitos de imagem aos torcedores que mostra na arquibancada, iria transmitir apenas jogos da Portuguesa e do América, que não têm ninguém no estádio.)

Mas o livreto não fica só nesse negócio mercantil de ingressos. Há um capítulo com as “condições de entrada” no autódromo, com 17 artigos e 35 parágrafos, que me deixou verdadeiramente preocupado com a possibilidade de ser deportado do reino das arábias antes mesmo de o primeiro carro ir para a pista.

Não se pode entrar com bebidas alcoólicas no circuito, por exemplo. OK, não tenho o hábito de carregar garrafas na mochila, mas quero ver como as equipes vão se virar com seus vinhos e licores. Bem, há uma brecha, se os organizadores autorizarem por escrito, tudo bem. Armas, fogos de artifício e “qualquer artefato capaz de distrair os pilotos” também estão proibidos, o que me faz imaginar que mulheres de barriga de fora não serão muito bem aceitas nas tribunas, assim como animais e bandeiras maiores do que 1 m x 1 m.

Até aí tudo bem, são medidas razoáveis, apesar de um certo exagero quando se chama a atenção para a proibição expressa de “colher flores dos jardins ou subir nas árvores”, ou ainda de estender faixas e cartazes. O problema mesmo está no parágrafo “k” do artigo 6. Diz lá que no autódromo ninguém pode fazer uso de linguagem “indecente ou ameaçadora”, não podem ser proferidas “palavras agressivas” e está proibido “insultar os outros”.

Não pode xingar? Nem na arquibancada? Piloto pode, se for jogado para fora da pista, ou se a suspensão estourar sozinha? Vão cortar minha língua se eu disser algum palavrão? Lavar minha boca com sabão? Não sei não, respeito muito os costumes do islã, mas acho que vai ser meio difícil controlar o comportamento de todo mundo. Em todo caso, vou avisar o Montoya.

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