FARDO ALIVIADO – 25/11/2004

Anthony Davidson era a maior ameaça a Antonio Pizzonia na luta por uma vaga de titular da Williams. Daí que o veto da BAR à sua participação no proclamado vestibular de tio Frank foi mais que um presente de Natal para o amazonense. O inglês, especialmente neste ano, nas sextas-feiras de GP em que podia andar à vontade, mostrou talento, velocidade e competência. Por isso a BAR bateu o pé. O time sabe que perderá Jenson Button em 2006, para a mesma Williams, e vai precisar de alguém de nível para seu lugar.

Sem Davidson no caminho, restará a Pizzonia mostrar que é melhor do que Nick Heidfeld. Não chega a ser tarefa das mais complicadas. Antonio conhece a equipe e a recíproca é verdadeira. O time sabe do que ele é capaz. Nos últimos anos, andou tanto com seus carros quanto os ex-titulares Montoya e Ralf.
Heidfeld, por sua vez, nunca fez nada brilhante na carreira. E quando a McLaren teve de escolher um entre os dois da Sauber para substituir Hakkinen, não foi a ele que recorreu. Deve ter tido suas razões.

O conceito de “melhor” na Fórmula 1 é amplo. Muitas vezes se mistura com “conveniente”. Pizzonia parece ser mais conveniente, neste momento.

E se Antonio virar titular da Williams, que é o desfecho mais provável dessa disputa, o Brasil voltará a ter dois pilotos correndo em “top teams” por uma temporada inteira. Faz tempo que isso não acontece. Para alguns, talvez nunca tenha acontecido. Quando Senna foi para a McLaren, em 1988, Piquet estava na Lotus, que de grande só tinha o nome, àquela altura. Em 1990 e 1991, Nelson correu na Benetton, mas era preciso alguma boa vontade para chamá-la de equipe de ponta naquela época. A Benetton só foi virar grande de verdade nas mãos de Schumacher. No fundo, há quem acredite que a verdadeira era dourada do Brasil na F-1 aconteceu antes de Ayrton aportar na McLaren; mais precisamente em 1986 e 1987, com Senna na Lotus, que fazia uma pole atrás da outra e às vezes vencia corridas, e Nelson na Williams, lutando por títulos.

De qualquer forma, já se vão quase 14 anos desde que dois brasileiros se encarregavam de dividir as atenções da mídia e da torcida por aqui. Boa notícia para Rubens Barrichello, em princípio. O fardo que este rapaz vem carregando sozinho desde que Senna morreu não é moleza, não.

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