NÚMEROS – 23/12/2004

Estão rendendo, meus “press-releases” antigos… Para quem não lembra, semana passada contei aqui que resolvi reaproveitar papéis velhos e para isso recorri a milhares de comunicados das equipes, emitidos depois de cada treino ou GP, que fui juntando desde 1995.

Muitas delas fecharam as portas e um amigo sugeriu que eu vendesse em leilões na internet “releases” da Pacific, da Forti Corse e da Simtek. “Você vai ficar rico!”, ele falou, já fazendo uma conta rápida: seriam mais ou menos 15 mil folhas, contando as papeletas de cronometragem, a cinco reais cada uma, e num piscar de olho eu teria 75 mil. Creio que, pela idéia, ele teria direito a uma comissão. Até que a idéia não é ruim.

Mas como não imagino que ninguém seja doido o bastante para comprar papel velho só porque tem o timbre de uma equipe que não existe mais, sigo na minha cruzada pela reciclagem e uso tudo como rascunho mesmo.

Entre a papelada tem uns comunicados da FIA, também. Achei a relação dos pilotos inscritos para o Mundial de 1995, com seus respectivos números. É deles que quero falar: dos números dos carros.
Não tenho certeza, mas acho que foi em 1997 que a FIA decidiu disciplinar a bagunça dos números na F-1. O velho e bom número 1 para o campeão do ano anterior, mesmo que ele mudasse de equipe, era algo já tradicional, e isso não mudou. Mas daí para a frente, passou a valer a colocação dos times no Mundial de Construtores. Nada mais sem sal. E foi assim, numa canetada, que a FIA acabou com a mística de certos números. Enterrou mais uma tradição.

Vejo na lista de 1995: a Ferrari usava 27 e 28. Claro! Quem é que não se lembra de Gilles com o “vermelho 27”? Certas coisas não podem mudar. Devia estar na regra: Ferrari é 27 e 28. Ser for campeã a gente pensa no assunto. Voltemos à lista. A Williams: 5 e 6. Evidente. “Red Five” lhe diz alguma coisa? Não? Pois procure fotos de Mansell na Williams. Decreto: Williams é 5 e 6 e acabou. Em frente. Está lá a Tyrrell, 3 e 4. Sim, me lembro bem, está guardado em algum canto da memória o Tyrrell azul de frente integral com Stewart ao volante e, na frente, a bolota branca e o numerão 3. Ligier: 25 e 26. Perguntem ao Laffite se podia usar outro. Arrows, 9 e 10. Minardi, 23 e 24. Um pouco antes, Lotus, 11 e 12. E assim vamos.

Qual a lógica dessa numeração, mantida anos a fio? Nenhuma. Apenas a tradição, a identificação de um carro ou de um piloto com determinado número, sempre foi assim no automobilismo. Antigamente, os pilotos vinham sempre acompanhados dos seus números nos relatos das revistas especializadas, muitas vezes os carregavam por toda a vida. Leia uma “Autoesporte” antiga. Marinho, com o DKW nº 10, fez não sei o quê. Bird, com a Berlineta nº 47, ganhou não sei onde. Camilo, com a carreteira nº 18, arrebentou a boca do balão. E os Fittipaldi eram 7 e 77, Pace era o 2, Ingo o 17, Norman o 96…

Número era propriedade privada, marca registrada, era de quem chegasse primeiro, um carimbo, uma grife. Hoje, na F-1, a gente nem enxerga direito os números dos carros. Chegaram a inventar o zero, sim, o medíocre e patético nº 0, quando Mansell ganhou o título em 1992 e foi para a Indy no ano seguinte.

Zero. Nota zero para a disciplina férrea dos números na F-1 atual. Eu, com meu DKW velho, sigo fiel às tradições. Corro de 12, e se alguém quiser meu número, só sobre meu cadáver.

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