AO REVOIR, BIB – 15/12/2005

Dizer que a saída da Michelin da F-1 me surpreendeu seria mentira. Depois que Monsieur M., o próprio, desembestou a atirar cobras e lagartos em direção à FIA, e recebeu como resposta indelicadezas do tipo “o sr. Edouard Michelin tem dificuldades claras de compreensão” (é burro, um pateta, um descerebrado, em outras palavras), permanecer seria suicídio, pela hostilidade do ambiente.

Até por uma questão de honra, era melhor mesmo tirar o time de campo. Azar de quem ficar com seus pneus no ano que vem — Renault, McLaren, Red Bull, Honda e BMW Sauber. Não que a Michelin vá se transformar numa borracharia de fundo de quintal. Há um nome e uma reputação a preservar, e por isso ninguém vai fazer corpo-mole. Ou borracha-mole. Mas é inevitável que se tire o pé. Não havendo mais objetivos, para que desenvolver pneus feito doidos, se no final do ano vai tudo para o lixo?

(Aqui, parênteses para o cinismo da FIA, que no comunicado em que comentou a decisão da Michelin garantiu que a F-1 agora será mais justa, barata e segura, e que problemas como o de Indianápolis nunca mais se repetirão. Falácia. Como se a Michelin fizesse pneus lamentáveis a vida inteira. É bom lembrar que os franceses fecharam o ano com 18 vitórias em 19 corridas. Ou 18 em 18, considerando que nem correram nos EUA. Espetada desnecessária, essa de Max Mosley. Ele deve ter tido algum problema com o SAC da Michelin no passado, só pode ser isso.)

Não tenho opinião formada sobre o monopólio dos pneus. Conceitualmente, acho a concorrência saudável, porque acrescenta uma variável às corridas. Vai ter pista em que o pneu X é melhor que o Y, etc., alternando favoritismos, combatendo a mesmice. Mas isso é teoria. Hoje pouca coisa muda de pista para pista, por causa da enorme quantidade de testes que fazem por aí. Aquelas surpresas do passado, um time mequetrefe de Pirelli entubando um grandão de Goodyear, já não rolam mais.

O que ocorre hoje em dia, argumentam os monopolistas, é que uma equipe que faz um carro bom pode ter sua temporada atirada no esgoto se escolher o fornecedor de pneu errado, como aconteceu com a Ferrari em 2005. Pena da Ferrari? Nenhuma. O carro nem era tão bom assim. Mas está na cara que os Bridgestone tiraram Schumacher e Barrichello de combate neste ano. E teria sido muito melhor um campeonato com mais uma equipe na briga, além de Renault e McLaren. O monopólio, por essa visão, poderia ser entendido como sinônimo de equilíbrio.

Será? De qualquer forma, o que eu penso a essa altura não importa, porque em 2007 vai ter um pneu só, mesmo. Bridgestone, claro. Eu preferia que ficasse a Michelin. Pelo menos é uma marca que tem um mascote gorducho e simpático. Qual é o mascote da Bridgestone? O Pokémon?
Au revoir, Bibendum.

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