CARROS PARA TODOS – 08/12/2005

A Toro Rosso vai ter de fazer um carro. A Super Aguri, ao que tudo indica, também. O regulamento da F-1 exige que cada equipe seja a responsável pela construção de seu chassi. Por construção, entenda-se projeto, também. A cessão de patente, direitos intelectuais ou coisa que o valha não é permitida. É por isso que a Honda B, o 11º time ainda não confirmado no Mundial, não pode sequer fazer um carro usando os rabiscos do BAR de 2005. O mesmo vale para a filial da Red Bull, que tinha como plano inicial, para reduzir custos, correr em 2006 com o RB1.

Ao mesmo tempo, a FIA batalha para cortar as despesas das equipes. Muito do que foi mexido nas regras nos últimos anos é voltado para tal objetivo: fazer a turma gastar menos. Não seria hora de rever essa camisa de força da construção própria? Max Mosley é favorável ao livre tráfego de chassis, equipes menores tendo direito de comprar modelos prontos para disputar o Mundial. É uma forma de engordar o grid.

Como tem grana, a Red Bull vai bancar a construção dos carros da Toro Rosso. O time já trabalha nisso há algum tempo, porque não comprou a Minardi ontem. Mesmo assim, os modelos serão testados à míngua, porque a apresentação oficial só será feita no Bahrein. A Super Aguri não dispõe de tempo hábil nem de funcionários em número suficiente para sair de uma folha em branco e aparecer com dois carros no deserto em três meses. Está pensando em usar velhos Arrows de 2002, mas ninguém sabe se pode — afinal, foram construídos por outra equipe.

Começar uma temporada com equipamento do ano anterior não é propriamente uma novidade na F-1. A Ferrari vinha fazendo isso ultimamente, até cair do cavalo no início de 2005. A McLaren disputou o Mundial de 2003 quase todo com o chassi de 2002 modificado. Na década de 70, alguns carros duravam três ou quatro anos. Gastava-se menos.

Para viabilizar a entrada de novos times, ou mesmo a participação daqueles que têm orçamentos mais curtos, a FIA deveria liberar geral. Vende quem quer, compra quem precisa. Depois, é quase impossível fiscalizar. Se a Toro Rosso vier com um Red Bull disfarçado, duvido que alguém seja capaz de descobrir.

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