COM QUE ROUPA EU VOU? – 17/11/2005

Sobre as 11 equipes que disputam o Mundial no ano que vem, tem-se apenas uma certeza: que a Ferrari será vermelha. As outras dez ainda não disseram como virão. Estou falando da pintura, não de aerodinâmica, motor, eletrônica. Essas coisas todas são importantes, mas invisíveis a olho nu. O que o mundo vê é a cara do carro. E é o que mais aguça minha curiosidade, entra ano e sai ano.

É porque são as cores que determinam se um carro é lindo ou não, e se vou torcer para ele. Aqui, que fique claro: tenho muito mais apreço pelos carros do que pelos pilotos, e por isso é às máquinas que dedico minha íntima preferência. Simpatizo, quando muito, com pilotos que beijam seus carros quando ganham uma corrida. Eles pensam como eu e merecem alguma consideração.

Há quem diga que carro bonito é carro que vence, mas não compartilho de tal sentimento desprovido de senso estético. Existem na história inúmeros casos de carros que não ganharam muita coisa, quase nada, mas foram um colírio para os olhos mais atentos e sofisticados. A Jordan dourada dos idos de 1996 era belíssima. A Williams que parecia aparelho de barba do ano passado, idem. O Copersucar prateado era um primor.

Claro que nesse grupo de beldades é preciso incluir também máquinas vencedoras como a Lotus preta e dourada, a Tyrrell azul, a linhagem amarela e branca da Renault, e até mesmo a maioria dos modelos da Ferrari. Que eram bonitos mesmo quando levavam surras de todo mundo, diga-se.

Em 2006, uma porção de equipes muda de cara. A Williams, por exemplo, não tem mais motivos para usar o azul e branco da BMW. A McLaren, sem o patrocínio da West, pode usar as cores de uma marca de uísque, e se fosse chamado a palpitar, indicaria a combinação cor de vinho/dourado. Duvido que a BMW vá ficar naquele azul morto misturado com turquesa da Sauber. A Red Bull tem dois times para viajar no design, e um deles, a Toro Rosso, promete. E a Super Aguri? Interrogação total.

Renault, Toyota e BAR-Honda não devem mudar muita coisa, já que a maioria de seus patrocinadores permanece. A Midland, ex-Jordan, já soltou um “layout” vermelho, prata, preto e branco na internet, mas ainda é cedo para julgar. Prefiro esperar pela versão definitiva.

Pode parecer tema irrelevante, esse do cromatismo, mas não é. Imagem é tudo. Antigamente, corria-se com as cores clássicas de cada país para o automobilismo. Os carros ingleses eram verdes, os franceses eram azuis, os italianos eram vermelhos, os alemães eram brancos ou prateados, os belgas eram amarelos. Hoje, quem determina como um carro vai sair na foto são os estúdios de desenho industrial e os marqueteiros de plantão, sempre em função da mídia, TV à frente. Tudo é estudado, da pintura do carro ao figurino de pilotos e mecânicos, do projeto gráfico dos impressos à disposição dos logotipos nos caminhões. Não há bordado num boné que não tenha de ser aprovado por algum figurão.

Mas em geral é na simplicidade que está a chave de um desenho bem-sucedido e marcante, como o da Arrows de 1998, o mais bonito dos últimos tempos, todo preto, sem frescuras. Basta notar a feiura da pintura da Renault deste ano, uma colcha de retalhos sobre fundo azul e amarelo. Ninguém vai se lembrar desse carro como um exemplo de beleza. Exceto Fernando Alonso, que tem suas razões para tal.

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