CORRIDA DE GENTE GRANDE – 01/12/2005

A principal prova do automobilismo do país completa 50 anos em 2006. No próximo dia 21 de janeiro, Interlagos viverá uma grande festa com as Mil Milhas Brasileiras, corrida disputada pela primeira vez em 1956.

Festa grande, mas muito diferente do que já foi um dia. Ao longo de décadas, a competição criada por Wilson Fittipaldi, o Barão, foi um real laboratório para montadoras e criadores de carros. Vinham alguns de fora, é verdade, trazidos por pilotos endinheirados e equipes que ensaiavam os primeiros passos do profissionalismo. Mas o barato eram os carros de fundo de quintal, as carreteiras e os “frankensteins” montados em garagens espalhadas pelo Brasil. Chassi de um, carroceria de outro, motor de um terceiro, suspensões inventadas, maluquices de todos os tipos, tamanhos e potências.

Houve um período de franca decadência, anos 70 e 80, mas a partir da década de 90 as Mil Milhas entraram mais ou menos nos eixos, com a vinda de máquinas importadas cheias de tecnologia embarcada que deixavam os protótipos nacionais com cara de calhambeques.

No ano que vem, esse processo se consolida. Os direitos da prova foram comprados por Antonio Hermann, piloto e ex-presidente do Banespa e do Banco Itamaraty, que pretende incluí-la no calendário da FIA. A corrida será elitizada. Quem quiser participar do pré-classificatório nos dias 16 e 17 deste mês paga R$ 7,5 mil por carro e R$ 2,5 mil por piloto, mínimo de dois. Esses treinos vão selecionar 20 carros. Mais 20 serão classificados em janeiro (R$ 10 mil por carro, R$ 3,5 mil por piloto) e 14 serão convidados pelos organizadores.

Nos últimos anos, dividiram o asfalto de Interlagos modelos da Porsche, Audi, Ferrari e Viper com alguns Voyage, Gol, Opala e outras simpáticas tranqueiras. Essa turma não tem grana para pagar inscrição tão alta. E o regulamento ainda imporá restrições a carros mais lentos. Tempos mais do que 30% acima da pole eliminam os carros.

Com a TV Globo por trás e uma enxurrada de Maseratis, Lamborghinis e que tais, o sucesso está garantido. Os carros serão vistoriados no Parque do Ibirapuera uma semana antes, o que deve atrair enorme interesse do público. Antigamente faziam isso na praça Charles Muller, no Pacaembu. As Mil Milhas viraram coisa de gente grande. Nada a opor. É a marcha da modernidade. E pensar que em 1956 um Fusca, de Cristian Heins e Eugênio Martins, quase ganhou…

Bem, passou-se meio século. Já não se fazem mais Fuscas. E aquele, afinal de contas, tinha motor Porsche.

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