E QUEM FICA EM ÚLTIMO? – 24/11/2005

A Minardi acaba hoje. Paul Stoddart, o dono, vai dar cinco voltas em Vallelunga e fechar o caixão da equipe. Foram 21 temporadas e nenhum pódio ou vitória. Mas os números pouco importam. Paul, dois anos atrás, disse num jantar oferecido aos jornalistas brasileiros que seu time jamais iria acabar, por uma razão muito simples: alguém precisa ficar em último na F-1.

Sua lógica era clara e cristalina. Na época, a Toyota era quase tão ruim quanto a Minardi, mas jamais poderia terminar o Mundial em último. Como é que eles vão justificar a dinheirama que gastam para ficar atrás de todo mundo?, perguntava o australiano. Uma empresa daquele tamanho torrando milhões de dólares para ser a última? Eles desistem na hora. E aí seria a F-1 chorando a deserção de uma montadora que chegou cheia de grana para dar.

Essa era a função da Minardi, pois. Ser a última sempre. Minardi virou sinônimo de carro ruim. Dá uma Minardi pra ele, diziam os detratores de Schumacher. Meu carro está parecendo uma Minardi, reclamava o piloto depois de um mau resultado. Eu não conseguia nem passar a Minardi, queixava-se outro após um fracasso.

Minardi, Minardi, Minardi. Sobrenome de Giancarlo, um italiano rico e simpático, dono de concessionárias Fiat e Iveco na região de Faenza, que mesmo depois de vender seu time continuou vestindo o uniforme e frequentando os autódromos, sem função nenhuma além de mostrar que a paixão pelas corridas continuava viva, apesar de tudo.

A Minardi sempre foi uma simpatia, a ponto de até os outros pilotos torcerem por ela. Nunca me esquecerei de Magny-Cours, 2003. Sexta-feira, pré-classificação. Início da sessão com pista molhada, mas foi secando. Os últimos da fila para fazer voltas lançadas eram, claro, os dois da Minardi, Verstappen e Wilson. O holandês ficou em primeiro e o inglês em segundo.

Festa nos boxes. Da Minardi? Não. De todas as equipes. Vi Fisichella socar o ar, Raikkonen sorrir, Montoya vibrar. Foi o dia de Cinderela da caçulinha, que só parou de lutar pela sobrevivência quando, finalmente, fez um campeão mundial. Alonso começou lá, para quem não se lembra. A F-1 perdeu seu mascote.

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