QUEM CUIDA DO AUTOMOBILISMO? – 07/12/2006

Dois brasileiros foram confirmados na GP2 esta semana, e ambos têm boas chances de conquistar o título no ano que vem. Lucas di Grassi vai correr pela ART, equipe que faturou os dois campeonatos da categoria até aqui (com Rosberg em 2005 e Hamilton em 2006), e Antonio Pizzonia defenderá o bom time de Giancarlo Fisichella. Experiente e rápido, não há por que não incluí-lo na lista de candidatos à taça.

O Brasil, assim, pode ter um campeão de uma categoria forte em 2007. E se isso acontecer, e com Felipe Massa vencendo corridas na F-1, o que é bem provável, a eterna cantilena de que somos um celeiro inesgotável de talentos voltará à tona.

Nada mais falso diante do momento pelo qual passa o automobilismo brasileiro.

Pizzonia e Di Grassi são, por assim dizer, “residuais”. O primeiro está na estrada faz tempo e Lucas foi adotado pela Renault na Europa. Massa, por sua vez, é resquício da finada F-Chevrolet. Nenhum deles é fruto de uma política de formação de pilotos por aqui. Porque o Brasil não forma ninguém faz muito tempo, graças ao descaso com que as categorias de base têm sido tratadas.

2006 foi um ano trágico para o país nas pistas. A lista de infortúnios é vasta. A Renault encerrou suas atividades esportivas por aqui, o que significa que F-Renault, Copa Clio e Super Clio ficaram à deriva. O kart é caro e, tecnicamente, fraco. A opinião não é minha, mas de Paulo Carcasci, que dispensa maiores apresentações.

Dos poucos autódromos que temos, alguns estão fora de combate para corridas sérias: Goiânia, Brasília, Caruaru, Fortaleza e Jacarepaguá. Cascavel só voltou a funcionar porque foi reformado pelo pessoal da Truck. Das pistas gaúchas, Guaporé e Tarumã sobrevivem sabe-se lá como e Santa Cruz do Sul é a única razoavelmente bem cuidada, talvez por ser novinha. Campo Grande é modesto, assim como Londrina. Curitiba foi duramente criticada depois da etapa do WTCC. Dessas todas, nenhuma passaria por uma vistoria rigorosa da FIA.

Resta Interlagos. E restam promessas e planos mirabolantes, como da construção de circuitos em Taubaté, Cabreúva e Guarulhos. Sairão do papel? Duvido.

O quadro é esse. Sem pistas, sem categorias de base, e com todas as atenções voltadas para o ralo mercantil da Stock — que decide o título domingo, em São Paulo, e não tem venda antecipada de ingressos porque os organizadores não estão nem aí com o público, desde que os convidados dos patrocinadores apareçam com suas camisetas e bonés promocionais.

Diante de tudo isso, pergunto-me: temos uma confederação? Sim, temos. E o que ela faz? Engorda sua massa de filiados cadastrando o pessoal de arrancada e de corridas em pistas de terra, atividades que têm muitos praticantes, para arrecadar cada vez mais com a emissão de carteirinhas de piloto. Que eu saiba, não muito mais do que isso. O que é muito pouco.

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