A PRIMEIRA A GENTE NUNCA ESQUECE – 07/12/2007

É foda.

Ainda bem que o português tem dessas expressões, precisas, incisivas e sem dúvida nenhuma.
Minhas primeiras 500 Milhas serviram para separar os kartistas em grupos.

Há os bons. Dos que encontrei na pista em algum momento, Barrichello, Burti, Nelsinho, Tony e Pizzonia. Foram os que identifiquei pelo capacete na enlouquecedora corrida da Granja Viana. Todos, claro, me passaram.

Os outros também. E chegamos ao segundo grupo. Se o primeiro tem pilotos absolutamente limpos e com total controle sobre a situação, este número zero-dois é o dos esfomeados, que se pudessem passavam por dentro de quem está na frente. Vêm dando porrada, abrindo caminho com a doze. Fanfarrões. Deles levei algumas dezenas de toques. Em três, rodei.

É um saco.

Ainda bem que o português tem dessas expressões. Só elas definem sem meias-palavras o que se sente numa rodada, esperando todo mundo passar para voltar à pista.

E há o terceiro grupo. Dos igualmente anônimos, como os do zero-dois, que sinalizam, agradecem, se desculpam, passam a prova inteira se comunicando por gestos. Espalham uma certa solidariedade pela pista. É reconfortante.

Fazer uma prova dessas, de noite, por horas a fio, é cansativo, mesmo que se guie por 25 ou 30 minutos, como eu. Porque mesmo quando você não está pilotando, tem um colega seu ali, e é como se você pilotasse com ele e por ele. E porque o tempo todo tem alguém à sua frente, ou atrás. O tempo todo, a cada curva, é preciso negociar algo. É virtualmente impossível dar uma volta limpa, sozinho. Aliás, solidão não existe. Os pilotos andam em bandos. Um empurrando o outro, o outro oferecendo o vácuo ao um, todos em turma.

Pelo que soube, peguei o kart em penúltimo e devolvi na mesma posição, isso lá pelas duas da madruga. Não me lembro de ter passado ninguém. Não vi os tempos de volta, mas pegaram no cronômetro manual e disseram que eu virei em 1min cravado. Os caras da ponta andavam em 57s. É uma diferença brutal, claro. Mas é o que deu para fazer.

Por fim, minha volta aos boxes. À Hamilton. Quando estava entrando, me assustei com uma fita plástica que parecia estar à altura do meu pescoço. A morrer enforcado, preferi enfiar o pé no breque. Rodei na entrada dos boxes.

Bem, Hamilton fez isso na China e é vice-campeão mundial de F-1. E lá não tinha fita plástica para enforcar ninguém.

Não terminamos em último. Depois de trocar de motor três vezes, depois de uma batida fortíssima de um de nossos pilotos-jornalistas da brava equipe “Red Bulletn” (que não se machucou, mas o kart teve de ser reconstruído), depois de refazer a carenagem, depois de perder um cubo de roda, chegamos ao fim. Vimos a bandeira quadriculada.

Foi uma vitória. Porque vitória, numa prova dessas, é ir até o fim.

A FIA e a Renault
A McLaren exagerou tanto nas denúncias contra a Renault, tendo de se retratar antes do julgamento de quinta-feira, que o resultado não poderia ser outro: equipe culpada, mas sem punição porque o episódio, segundo a FIA, “não interferiu no campeonato”. Agora é capaz de a Renault processar a McLaren por calúnia e difamação.

A Renault e Alonso
Sem punição, abre-se de vez a porta para Alonso assinar com sua ex-equipe. Com Nelsinho de companheiro. É questão de dias. Da semana que vem não passa.

A Renault e Kovalainen
E o pupilo de Briatore, para onde vai? Para a McLaren. Também já está certo. E a equipe prateada será a primeira a ter como titulares pilotos oriundos da GP2. De todos, quem vai acabar se saindo melhor é ele. Sai de uma Renault incerta para uma McLaren forte. Alonso faz o caminho inverso sem saber exatamente o que terá nas mãos. Para Nelsinho, qualquer coisa é lucro. É estreante, e começar de cara num time de porte está de ótimo tamanho.

Todos e os slicks
Nesta semana, em Jerez, a maioria dos pilotos teve a chance de testar os slicks que serão usados em 2009. Schumacher foi um dos que se divertiram com os pneus lisos. E andou muito bem na sexta-feira. Com a configuração aerodinâmica de 2009, 25% menos de “downforce”, ficou em quarto. Como sempre, um assombro.

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