AGONIA DESNECESSÁRIA – 14/11/2008

Que não se entenda em nenhuma destas linhas uma defesa apaixonada da aposentadoria de Rubens Barrichello. Ou qualquer sugestão na linha “é preciso saber a hora de parar”, comparando-o a outros grandes atletas que souberam o momento de encerrar suas carreiras.

Nada tenho a ver com a carreira de Barrichello. E não tenho a menor pretensão de aconselhar ninguém a fazer o que quer que seja. Cada um no seu quadrado. Mas ele vive um período de agonia na F-1 que talvez seja desnecessário para alguém com o currículo que tem: 16 anos na categoria, dois vice-campeonatos, recorde de GPs disputados, nove vitórias, um dos maiores pontuadores da história. Não é um mau currículo, longe disso. É melhor que o da maioria dos que já passaram pela F-1.

Ocorre que aparentemente ninguém mais o quer, e esta é a realidade com que Barrichello tem convivido nos últimos meses, sem conseguir esconder seu desconforto. Ninguém o quer, da mesma forma como ninguém mais iria querer David Coulthard se ele insistisse em continuar correndo, e por isso o escocês avisou, no meio do ano, que iria parar. Saiu tranquilamente, tendo suas péssimas atuações “perdoadas” porque, afinal, estava disputando as últimas corridas de sua vida.

Mas isso não é regra – descartar veteranos sem maiores explicações. Está aí Giancarlo Fisichella que não me deixa mentir. A regra, que o brasileiro terá de aceitar, queira ou não, é que quase todas as equipes já fecharam suas duplas para 2009. E não restam vagas.

Não é o caso aqui de abrir uma discussão sobre a qualidade de Barrichello comparada à de outros pilotos já acertados para o ano que vem. Claro que tem gente pior que ele, ou ao menos do mesmo nível, com o emprego garantido. Kazuki Nakajima, o próprio Fisichella, Jarno Trulli, Mark Webber, até mesmo Jenson Button, são alguns deles.

Mas todos, por uma ou outra razão, já se arrumaram para a próxima temporada. E o tempo foi passando, e ninguém demonstrou interesse por Rubens. A Honda, sua equipe, vai testar dois meninos na semana que vem, Bruno Senna e Di Grassi. Coincidentemente, dois brasileiros – entre outras coisas porque a Petrobras, nova fornecedora de combustíveis e patrocinadora do time, quer um piloto do país num de seus carros. A Toro Rosso fará um vestibular triplo com dois “Sebastiões”, Buémi e Bourdais e, não se espantem, Takuma Sato.

Portanto, é hora de encarar os fatos. Tenha ou não condições iguais ou melhores do que muitos outros que já têm cockpits assegurados para o próximo mundial, Barrichello precisa entender que sua carreira na F1 pode ter chegado ao fim. E não pega bem ficar se lamuriando pelas injustiças da vida. A vida é assim. As coisas começam e acabam. Não há injustiça alguma no que está acontecendo com ele.

É assim e pronto. Rubens é jovem, bem preparado e piloto por ofício. A F1 não é a única categoria do mundo. É o que alguém precisa dizer a ele. E ele precisa escutar.

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