DESCULPA PARA TUDO – 19/12/2008

Na década de 70, a Audi nada mais era que uma divisão da VW que tentava se encaixar no mercado produzindo derivados daquele que seria nosso Passat, um projeto nascido na Auto Union duas décadas antes, ainda sob a supervisão da Mercedes-Benz.

A VW era conhecida por seus carros com motor a ar e precisava se posicionar no segmento que hoje se chama de “premium”, uma frescura que inclui esportivos e luxuosos. Queria disputar espaço com Mercedes e BMW, suas grandes concorrentes. Nos anos 80s, deu seu grande salto. Foi quando colocou na pista seus impressionantes Audi quattro, com tração integral nas quatro rodas, modelos que revolucionaram o mundial de rali e, depois, foram levados aos autódromos e montanhas dos EUA, conquistando a América e a Europa.

Podem colocar sua fama na conta das corridas. A Honda só fazia motocicletas e motonetas até a década de 60, e seu primeiro veículo de quadro rodas foi logo uma baratinha de Fórmula 1, que chegou a ganhar GPs no México e na Itália. Nos anos 80s e 90s, de novo na F1, já como fornecedora de motores para Williams e McLaren, cunhou sua imagem de competência e precisão, que foi transferida para a indústria automobilística, e, assim, a montadora passou a vender carros que nem água. Carros muito bons, diga-se. Mais uma para a conta das corridas.

A Subaru, até os anos 90s, não passava de um braço da Fuji Heavy Industries que fazia carros feios e esquisitos para o mercado japonês. Quando resolveu disputar o mundial de rali, começou a ganhar provas e títulos, e tornou-se conhecida globalmente. O logotipo das estrelinhas amarelas virou objeto de desejo de todos os amantes de carros espalhados pelo planeta, e seu modelo Impreza transformou-se quase num fetiche dos adoradores de máquinas nervosas e impetuosas.

Vai para a conta das corridas, também. Audi, Honda, Subaru e, de quebra, Suzuki anunciaram nas últimas semanas seu afastamento das competições. A crise isso, a crise aquilo, as vendas caíram, e todas elas jogaram na conta das corridas parte da culpa pelo momento delicado que vivem. É tudo muito caro, dispendioso e supérfluo. Que se cortem as corridas!

Essas marcas, e muitas outras, nada seriam no mercado automobilístico mundial se não fossem suas trajetórias nas pistas. Agora, elas demonizam as competições para encobrir a incompetência de seus executivos, incapazes de enfrentar dois meses de crise depois de anos de prosperidade e fartura, inaugurando fábricas desnecessárias, torrando dinheiro em projetos que jamais sairão do papel, gastando fortunas em campanhas publicitárias duvidosas, festas nababescas para apresentações de carros e stands faraônicos em salões de automóveis.

Esses mesmos executivos, que não mexem nada nos seus salários, claro, podem até achar que estão certos, agradando seus acionistas e superiores imediatos. Mas estão, mesmo, contribuindo para que as empresas que dirigem percam o respeito do consumidor. E, uma hora, aquele cara fiel, que se orgulhava de ver um Subaru igual ao dele em Mônaco, ou as quatro argolas em Le Mans, ou o H em Monza, manda a conta.

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