MEMÓRIAS DE HOCKENHEIM – 18/07/2008

Apenas oito dos 20 pilotos que largam domingo para o GP da Alemanha conheceram a verdadeira pista de Hockenheim com um carro de F-1. Eles estavam no grid naquele 29 de julho de 2001, quando o traçado de 6.825 m foi usado pela última vez. No ano seguinte, o circuito foi mutilado e reduzido para 4.574 m, obra de, como sempre, Hermann Tilke, o arquiteto da categoria.

A título de curiosidade, eram eles: Rubens Barrichello (Ferrari), David Coulthard (McLaren), Jenson Button (Benetton), Giancarlo Fisichella (Benetton), Jarno Trulli (Jordan), Nick Heidfeld (Sauber), Kimi Raikkonen (Sauber) e Fernando Alonso (Minardi). Todos, hoje, defendem outras equipes. Alguns times já nem existem mais, como a Benetton (virou Renault), a Jordan (é hoje a Force India), a Sauber (comprada pela BMW) e a Minardi (sucedida pela Toro Rosso).

Olhando assim, parece que faz um século, mas estamos falando de apenas sete anos atrás. O que mostra que a F-1 vem passando por forte renovação, com pilotos cada vez mais jovens ocupando seus cockpits, equipes fechando e mudando de mãos, e até autódromos sendo abandonados. Das pistas que fizeram parte do calendário de 2001, Imola, Zeltweg e Indianápolis não são mais usadas. Suzuka está fora, mas volta no ano que vem. E Nürburgring se reveza com Hockenheim como sede do GP alemão.

O novo traçado não tem a menor graça. Falta-lhe personalidade, caráter. O antigo carregava os mistérios da Floresta Negra, com suas retas enormes cortadas por chicanes, que tragavam os carros depois do trecho do Estádio para devolvê-los à visão dos torcedores depois de um longo minuto de escuridão e altíssima velocidade.

O que permanece é o espírito do torcedor alemão, que faz uma festa das mais alegres do ano no autódromo durante quatro dias. Cerveja é consumida em doses industriais e a instituição do camping permanece viva nos arredores da pista. Muita gente acampa, outros levam seus trailers, holandeses, principalmente, salsichas são assadas em pequenas churrasqueiras e a camaradagem é geral. Há ainda um belo museu de carros de corrida, muitas barraquinhas com lembranças da F-1 e o clima “automobilístico” só é comparável àquele que se encontra em provas tradicionais, como em Monza, Spa, Silverstone e Nürburgring.

Foi em Hockenheim, a antiga, que Rubens Barrichello ganhou sua primeira corrida, em 2000, numa epopeia histórica a partir da 18ª posição do grid, terminando a prova com pneus para pista seca debaixo de uma chuvinha traiçoeira. Isso depois de uma invasão de pista por parte de um ex-funcionário da Mercedes, que protestava contra sua demissão e acabou mudando o rumo do GP, motivando a entrada do safety-car e anulando a diferença que o brasileiro tinha para os ponteiros.

A comemoração de Barrichello na volta da vitória, seu choro no pódio e, depois, a homenagem de Mika Hakkinen e David Coulthard, que o ergueram nos ombros, estão entre as imagens mais marcantes dos últimos anos.

São algumas das memórias de Hockenheim, de tempos que, infelizmente, não voltam mais. Não nessa pista sem sal e sem tempero.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s