CASOS ESTRANHOS – 17/07/2009

O começo da semana foi duro para Nelsinho Piquet. Ele estava praticamente demitido da Renault por conta de seu mau desempenho neste ano. Ao lado de Fisichella e Sutil, da Force India, e de Nakajima, da Williams, o brasileiro virou a metade da temporada fazendo parte do indesejado grupo dos pilotos que ainda não marcaram pontos no campeonato.

Por contrato, poderia ser mandado embora. Há uma cláusula de performance que permitia à Renault substituí-lo se não tivesse feito pelo menos metade dos pontos que Alonso no mesmo período – o espanhol marcou 13 até agora.

O que segurou Nelsinho no time foi o argumento de que para conseguir cumprir o prometido, ele precisaria ter ao menos o mesmo equipamento que o companheiro de equipe. E, em algumas provas, não teve. Para evitar uma briga que poderia ser levada aos tribunais, Flavio Briatore aceitou prorrogar sua permanência até, pelo menos, o GP da Hungria.

Nelsinho tem sido um mau piloto de F1. Bem-sucedido nas categorias menores, rival duro para Lewis Hamilton na GP2, o filho do tricampeão Nelson Piquet não se encontrou neste ano e meio em que faz parte da elite do automobilismo mundial.

É fraco em classificações, pouco efetivo em corrida, parece meio distante de tudo, disperso, sem espírito de equipe. Neste momento em que ganhou uma sobrevida, tem de repensar o que quer da carreira. Mesmo que chegue ao final da temporada, precisa ter em mente que já está desempregado para 2010.
Seu desafio, agora, será mostrar não à Renault, mas às outras equipes, que merece uma vaga no ano que vem. Para desmentir a tese defendida por muitos de que, no automobilismo, quase nunca filho de peixe, peixinho é.

Porque se continuar nessa toada de absoluta falta de resultados, encerra precocemente seu ciclo na F1 e corre o risco de se transformar num piloto errático, daqueles que passaram pela categoria sem deixar saudades e que tentam, depois, encontrar um rumo em outras pistas, com outros carros.

O começo da semana foi igualmente duro para Sébastien Bourdais. Ainda no autódromo, em Nürburgring, foi flagrado pelas câmeras de TV dando um caloroso abraço num cara das antigas, Giorgio Ascanelli, engenheiro da Toro Rosso. Era sua despedida do time que, no ano passado, lhe abriu as portas da Europa. Sim, porque apesar de francês, Bourdais fez sucesso, mesmo, nos EUA. Foi tetracampeão da Champ Car, reeditando o caminho feito por Alessandro Zanardi anos antes.

Zanardi também voltou à Europa, e igualmente fracassou. Como fracassaram Michael Andretti e Cristiano da Matta depois de glórias em solo americano. Como não seguraram o rojão, apesar de resultados muito melhores, Jacques Villeneuve e Juan Pablo Montoya, de certa forma. Ambos voltaram à América.

É outro caso estranho, esse dos pilotos que ganham tudo nos EUA e, quando chegam à F1, ou voltam a ela, se dão mal. Seria o automobilismo americano tão mais fraco? A essência das competições não é a mesma, acelerar e chegar na frente dos outros?

Não sei. Até um cara sair dos EUA e se dar bem na F1, a sensação será sempre a de que a categoria mais importante do mundo é, no fundo, um moedor de carne.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s