O CARRO QUE RI – 13/11/2009

Este é um desagravo, em defesa da verdade e para rebater calúnias inomináveis e mentiras históricas veiculadas pela imprensa de todo o planeta nos últimos dias.

Segunda-feira, a queda do Muro de Berlim completou 20 anos. Em vários canais de TV, jornais, revistas e portais de internet do mundo inteiro, muito se falou sobre os acontecimentos que levaram ao fim da Alemanha Oriental e, logo depois, ao esfacelamento do bloco comunista do Leste Europeu.

E vimos imagens marcantes, gente festejando o fim da barreira física entre as duas metades de Berlim, o concreto sendo derrubado a marretadas e, nos postos de controle, os primeiros carros a cruzarem a fronteira.

Trabants, claro. Afinal, era o que havia na Alemanha Oriental, além de Wartburgs, alguns Skodas checos, um ou outro Yugo da antiga Iugoslávia. Mas, na maioria, Trabants, palavra oxítona que quer dizer “satélite” em alemão, mas numa tradução livre pode ser entendida também como “companheiro”, ou “amigo que está sempre junto”.

E, aí, os inevitáveis comentários engraçadinhos dos repórteres que de nada sabem ou entendem. “Eles vinham sorridentes em seus Trabants, o pior carro fabricado no mundo”, disseram e escreveram, acreditando ter atingido o auge do jornalismo literário. Para, logo depois, anexar “lentos, barulhentos, poluentes, fedorentos” à plêiade de bobagens que, imaginam, seriam necessárias para descrever o automóvel em questão.

Ah, até onde vai a ignorância humana… Só o fato de ser o símbolo de uma era já seria o bastante para prestar o devido respeito a um Trabant. Para além disso, porém, estão as qualidades do carro, fruto da necessidade de um país de recursos escassos e economia baleada. Eu poderia passar o dia aqui falando sobre elas, como o uso do Duroplast (um plástico misturado com fibras de algodão e lã) para a carroceria, leve e resistente, a economia do motor dois tempos de dois cilindros e 600 cc, o custo quase zero de manutenção, a simplicidade mecânica…

Mas não cabe, então digo apenas que o Trabi é talvez o único carrinho do mundo que tem um rosto, e ele está sempre sorrindo. Para mim, basta.

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