OS NOVOS INIMIGOS – 20/11/2009

Mercedes e McLaren, unidas desde 1995 na F-1, tendem a virar as maiores inimigas da categoria depois dos anúncios desta semana. A montadora alemã vai se desfazer dos 40% que possui no time inglês. E comprou a Brawn para transformá-la numa equipe própria, Mercedes pura.

Os termos das declarações oficiais fazem crer que a parceria com a McLaren seguirá pacífica e sorridente até 2015. Cascata pura. A fábrica só vai continuar fornecendo seus motores à turma de Ron Dennis por obrigação contratual. Se pudesse, mandava uma banana para os ingleses.

Mas os bons modos exigem que todos digam que a separação é amigável e sem sobressaltos, exaltando os feitos passados, as vitórias e títulos conquistados. Porque se a Mercedes dissesse o que gostaria de dizer, talvez escandalizasse todo mundo.

A montadora caiu fora porque o escândalo da espionagem de 2007 pegou muito mal. Uma marca do porte da Mercedes envolvida com pilantragens é algo que não agrada acionistas e público consumidor. Caiu fora porque as mentiras de Hamilton na Austrália tampouco foram digeridas. Onde já se viu alguém vestindo um macacão com a estrela de três pontas mentir descaradamente, e sob orientação da equipe, em nome de um mísero troféu? E caiu fora porque a McLaren resolveu fazer um superesportivo de rua para concorrer com produtos dela, Mercedes. O carro deve ganhar as ruas em 2011, com um motor que levará o nome da McLaren no cabeçote.

Era demais para a paciência dos alemães, que depois de tudo decidiram mandar os ingleses às favas.

E aí a McLaren dá um golpe duro na ex-sócia ao arrancar Button do novo time. O campeão do mundo negociava com a Brawn e é claro que a Mercedes gostaria de tê-lo no time, ostentando orgulhosamente o número 1 no bico do carro, na condição de defensor do título. Mas não deu tempo. O exército de Woking seduziu Jenson levando-o à sua fábrica espantosa, dando-lhe do melhor café expresso, impressionando-o com uma estrutura que, de fato, é assombrosa. E, sobretudo, pagou o que ele queria.

Não creio que a Mercedes vá ficar quieta. Em algum momento o alvo foi Raikkonen, que acabou declinando porque pretende ficar parado no ano que vem. Kimi poderia ser a vingança ideal dos prateados originais. Afinal, tem uma história com a McLaren e, no time britânico, muita gente preferia ele a Button.

As relações entre Mercedes e McLaren são, hoje, protocolares. Norbert Haug, o gorducho que esteve à frente da parceria nos últimos 15 anos, já está do lado de lá, providenciando salinha na fábrica de Brackley e jaqueta tamanho GG. Não se espantem se no ano que vem surgirem insinuações de que os motores do time oficial são mais bonitinhos que os da cliente. Vem chumbo grosso por aí.

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