SÓ SE FOR POR AMOR – 27/11/2009

A Mercedes promete uma grande surpresa para a semana que vem: o substituto de Button, que se mandou para a McLaren chateado com a dificuldade para conseguir um aumento no time onde foi campeão. Claro que na pole das especulações está Michael Schumacher. Há motivos de sobra. Ele é alemão. Correu pela Mercedes no Mundial de Marcas no fim dos anos 1980 e início dos 1990.

Foi a fábrica da estrela de três pontas que pagou os US$ 300 mil a Eddie Jordan para que ele estreasse na F-1, no lugar de Bertrand Gachot, no GP da Bélgica de 1991. E, depois, pagou a Flavio Briatore para colocá-lo na Benetton. Há um passado. Há um sentimento de gratidão. Há uma sensação de que para fechar seu ciclo como piloto profissional, Michael deveria, sim, vestir o prateado da empresa que, afinal de contas, lhe deu a chance de ser quem é.

Mas é difícil. Schumacher está há mais de três anos parado. Tentou voltar pela Ferrari quando Massa se acidentou, mas ficou assustado com o primeiro teste que fez em Mugello – primeiro e único. Sentiu dores fortíssimas no pescoço e teve perda temporária de visão. A F-1 de hoje exige uma preparação permanente. Qualquer pequena dificuldade física pode significar meio segundo numa volta, e meio segundo numa volta é o bastante para fazer papelão, como fizeram Badoer e Fisichella no lugar de Felipe – os dois bem fisicamente, até, mas muito pouco à vontade com um carro ruim e difícil de guiar.
O mesmo aconteceu com Villeneuve, alguns anos atrás, ao ser chamado para tapar um buraco na Renault.

O senso comum leva a uma conclusão óbvia: para andar atrás e colocar a reputação em jogo, um germânico como Schumacher não aceitaria a empreitada, aos 41 anos de idade, que vai completar em janeiro. As cobranças seriam enormes, e se ele voltar, qualquer coisa que não seja uma sequência de vitórias numa temporada brigando na frente será encarado como fracasso.

Eu só vejo uma chance de Michael voltar às pistas: por paixão. Amor às corridas, prazer de pilotar, sem compromisso, sem querer ser nada do que já foi um dia, sem dar bola para as críticas, tendo de responder apenas a ele mesmo.

E disso eu não duvido. Depois dos 40, e de tudo que já fez, é um cara que tem o direito de buscar a felicidade pura e absoluta dentro de um carro. Como se fosse o único na pista, com a única obrigação de, ao fim de cada treino ou corrida, se olhar no espelho e sorrir.

Sorrisos, no entanto, não pagam as contas. A Mercedes, se resolver despejar um caminhão de dinheiro em sua conta, vai querer mais.

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