ELES QUEREM E SABEM VENCER – 09/04/2010

Vamos dar uma olhada na turminha que está disputando o Mundial de F-1 de 2010. Sebastian Vettel, Fernando Alonso, Felipe Massa, Jenson Button, Lewis Hamilton, Nico Rosberg, Robert Kubica. De troco, Michael Schumacher. Mais alguns veteranos de qualidade, como Rubens Barrichello e Mark Webber, e jovens bem promissores, como Adrian Sutil, Jaime Alguersuari, Kamui Kobayashi e Sébastien Buemi.
Podem se deliciar. Essa geração – ou gerações, pois tem neguinho aí que já passou dos 40 e outros que mal entraram nos 20 – é a melhor que a F-1 já teve desde os anos 80, aqueles que os mais saudosos costumam acoplar a “Mansell, Senna, Piquet e Prost”. E eu colocaria Lauda nesse grupo.

É uma F-1 que surge depois do vácuo do que se seguiu à morte de Senna e às aposentadorias de Piquet, Mansell e Prost. Período que varreu da história outro punhado de pilotos que poderiam ter sido muito bons, não fosse o inacreditavelmente longevo auge de Schumacher, que durou bem uma década. Sim, a F-1 teve ótimos pilotos nesse período, também. Não dá para dizer que eram ruins Mika Hakkinen, David Coulthard, Eddie Irvine, Heinz-Harald Frentzen, Jean Alesi, Jacques Villeneuve, Olivier Panis, Giancarlo Fisichella, Nick Heidfeld, Juan Pablo Montoya, Ralf Schumacher, Kimi Raikkonen…

O problema deles tinha nome, sobrenome, endereço na Suíça e boné de patrocinador impronunciável, e foi só quando ele decidiu parar que a garotada perdeu a inibição e, agora, deixa o alemão a ver navios. Schumacher pode não estar decepcionando na volta, está longe de ser um ex-piloto em atividade, vai reencontrar a competitividade, mas os tempos são outros e ele sabe disso.

Tanto sabe que já se tocou que está diante do maior desafio de sua carreira: brilhar de novo em meio a jovens tão talentosos e sedentos como esses que têm oferecido grandes espetáculos nas últimas corridas. Parece pouco para quem conseguiu tirar a Ferrari de uma fila de 21 anos, mas não é.
Quando assinou com o time italiano, Schumacher sabia que conquistar títulos seria uma questão de tempo. A equipe tinha uma estrutura forte e sólida, um comando firme e eficiente, com Jean Todt e Ross Brawn à frente, e quando tudo se encaixasse, seria só alegria – como foi.

Essa galerinha que tomou a F-1 de assalto quando ele parou, no entanto, não tem o menor respeito pelos mais velhos, no que faz muito bem, e está doida para inscrever seus nomes, coletivamente, nos anais da categoria. Daqui a 20 anos, vamos olhar para 2010 e suspirar, com ar nostálgico, que bom mesmo eram os tempos de Vettel, Massa, Alonso, Hamilton…

Bom que seja assim. É saudável a troca da guarda, a renovação. E é igualmente bom saber que são todos mais ou menos do mesmo nível, não tem nenhum que possa se gabar de ser tão melhor que os outros como Schumacher logrou ser no seu período mais fértil.

São três corridas até agora nesta temporada, e três vitórias de equipes diferentes, algo que não acontecia em início de campeonato desde 1990. E serão muitos os vencedores neste ano, podem apostar. Por uma simples razão. Ao contrário da geração dizimada por Schumacher, essa de hoje não vai para a pista derrotada por antecipação.

Querer vencer e saber que é possível é o que faz toda a diferença. Nas pistas e na vida, se me permitem a baratíssima filosofia de botequim.

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