HORA DO CHILIQUE – 17/12/2010

Luca di Montezemolo, o presidente da Ferrari, falou pelos cotovelos nesta semana. Deu entrevistas, recebeu jornalistas, atirou para todos os lados. Um deles, o de Felipe Massa. Mas, sinceramente, considero suas palavras sobre o brasileiro as menos relevantes. Está na cara que a equipe espera mais dele, que 2011 será um ano decisivo para sua história em Maranello, que precisa melhorar. Felipe teve um 2010 desastroso e é o primeiro a admitir isso. Portanto, nada de novo.

De novo, mesmo, a retomada dos chiliques que de tempos em tempos Di Montezemolo atira aos ventos, trombeteando opiniões e posições que nem sempre condizem com a realidade e se confundem com momentos de histeria que a Ferrari protagoniza, considerando-se a alma da F1 e, sendo assim, voz a ser ouvida e acatada.

Ouvida, tudo bem. Claro que a história da Ferrari no automobilismo e na indústria deve ser respeitada. Mas nem sempre os que em nome dela se manifestam merecem tanta consideração assim.

Luca falou, de novo, num terceiro carro por equipe. Algo impraticável. Sugerindo isso, ataca as equipes menores. E se é verdade que elas foram um fiasco neste ano, as três estreantes, também é verdade que têm o direito de existir. Falou também numa liga independente, mais uma vez. Num campeonato à parte, desgarrado de Bernie Ecclestone e seus investidores.

Longe de eu defender Bernie ou a maneira pela qual conduz seus negócios. Na verdade, não é problema meu, e sim das equipes. Elas que se entendam. Mas se a gente voltar um pouquinho no calendário, vai lembrar que no auge da presença das montadoras Luca saiu-se com essa história, meio que na condição de líder de todos como presidente da Fota, a associação das equipes da qual ninguém mais fala. Na época, ele tinha apoio da Honda, da Toyota, da Renault, da Mercedes, da BMW, de todo mundo. Hoje, quem sobrou? Só ela, a Ferrari, e a Mercedes. O resto se mandou.

Portanto, é frágil a ideia de um campeonato independente. Se a Ferrari quer ganhar mais dinheiro de Bernie, o dono da F1, que converse com ele. E não enfie todos no mesmo balaio sem pedir autorização.

Por fim, Luca reclama da nova regra de motores, 1.6 de 4 cilindros a partir de 2013. Diz que não faz sentido. Que a Ferrari jamais vai construir carros de rua de 4 cilindros. OK, que não faça. Que continue com seus V8, V10, V12, o que bem entender. Até porque Ferrari não é carro de rua. É carro para quem quer mostrar que é rico. Pode ter qualquer motor, tanto faz. No dia em que a F1 tiver de se pautar pela linha de produção da Ferrari, que fabrica automóveis para exibicionistas, aí sim a F1 estará em perigo.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s