SIMPATIA PRA QUÊ? – 19/11/2010

Não sei se alguém na Ferrari se importa com isso, nem se as pessoas, poucas, no mundo em condições de comprar aquilo que a Ferrari vende se preocupam com o tema. Mas a conquista da Red Bull e de Sebastian Vettel domingo passado em Abu Dhabi mereceria uma reunião de cúpula em Maranello. Alguém já percebeu como a Ferrari vem se tornando antipática aos olhos daquilo que a gente chama de “opinião pública”?

É uma sequência de episódios nos últimos anos que só arranham a imagem da marca e da equipe italiana. E dá para localizar no tempo e no espaço quando isso começou. O marco zero é o GP da Europa de 1997, quando Michael Schumacher, numa tentativa desesperada de impedir uma ultrapassagem de Jacques Villeneuve, jogou o carro sobre o canadense. Se deu muito mal, abandonou a prova de Jerez e Jacques conquistou o título.

A partir dali, uma certa ojeriza por Schumacher se disseminou pelo mundo e ele só conseguiu consertar quando ganhou sua primeira taça pelos vermelhos, em 2000. Mas àquela altura já tinha chegado Barrichello à equipe, e suas queixas constantes — e na maioria das vezes injustificadas — ajudaram a construir a fama do time que dá prioridade a um piloto e deixa o outro à míngua.

O auge das papagaiadas ferraristas foi a já histórica marmelada do GP da Áustria de 2002, e a Ferrari, do alto de sua prepotência, não deu muita bola às críticas que vieram de todos os lados, e nem mesmo se importou com o constrangimento de Schumacher no pódio.

Fama feita, é só deitar na cama. É verdade que depois disso sobreveio um período de relativa simpatia, graças ao quase título de Massa em 2008, mas logo chegou Alonso, e as ordens de equipe se repetiram no GP da Alemanha deste ano, e para coroar a carapuça o espanhol faz o papelão que fez com Petrov na corrida que decidiu o título desta temporada.

Enquanto isso, a Red Bull nadava de braçada, negando privilégios, estimulando a competição interna, e dando ainda uma sorte danada porque Webber, em Abu Dhabi, se arrastou feito uma tartaruga, como Alonso, e não foi necessário fazer a Escolha de Sofia, tirando a vitória de Vettel se as posições na pista, na última volta, exigissem alguma troca para que o time não perdesse a taça para El Chorón de las Astúrias. Para a marca de energético, um fim de ano glorioso, que vai ao encontro do público que compra suas latinhas mundo afora e, também, da linha que impõe às suas estratégias de marketing: jovial, aventureira, descolada, moderna.

Fosse a Ferrari uma empresa normal, que depende de sua imagem junto ao consumidor para cativá-lo e vender seus produtos, talvez fizesse, sim, uma reunião do “board” para estudar como resgatar sua aura perdida. Mas, ao que parece, a Ferrari não faz questão de ser muito simpática para ninguém. E, para ser sincero, quem compra uma Ferrari também não.

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