GRANA DE LÁ, GRANA DE CÁ – 09/12/2011

Romain Grosjean foi confirmado como titular da Lotus para o ano que vem. A Lotus preta, ex-Renault. Por um tempo, vai ser preciso lembrar que em 2012 só teremos uma Lotus, a preta e dourada deste ano, que correu como Renault. A Lotus verde, da turma das nanicas, chamar-se-á Caterham.

Isso dito, sigamos.

Grosjean fará par com Kimi Raikkonen. O rapaz, suíço nascido em Genebra há 25 anos — que tem dupla nacionalidade e corre com licença francesa —, é dono de um bom currículo. Foi campeão francês de F-Renault em 2005, por exemplo. Em 2007, conquistou o título europeu de F3. Em 2008 e 2011, levou a taça na série asiática da GP2. No ano passado, ganhou a AutoGP. E, neste ano, conquistou a GP2 principal, último degrau antes da F-1.

F-1 que conhece bem, diga-se. É piloto do programa de desenvolvimento da Renault faz tempo. Em 2009, descascou o abacaxi de substituir o proscrito Nelsinho Piquet no final da temporada. Não fez nada, muito pelo contrário. Então, deu dois passos atrás e recomeçou com calma e competência. O prêmio foi a titularidade para 2012.

Retrospecto sólido, nacionalidade francesa num time dirigido por franceses e apoio da Total, patrocinadora e fornecedora de combustíveis da Lotus — Total que controla a Elf, parceira de séculos da Renault. Surpreende a escolha?

Claro que não. Mas como ele tungou uma vaga que poderia ser de um brasileiro, e não um brasileiro qualquer, Bruno Senna, passou a sofrer bullying de torcedores mais exaltados nas ditas redes sociais — benditas redes, que nos permitem tirar a temperatura imediata dos leitores, ouvintes, telespectadores, internautas e argonautas.

Muita gente no Brasil, das que seguem a F-1, não se conforma com o fato de que a Lotus preteriu um Senna em favor de um Grosjean. “Só corre porque tem patrocínio!”, bradam. Claro, há os que compreendem a situação. Mas os mais estridentes são os que chamo, brincando, de “pachecos”. Quem não sabe o que são, deem um “Pacheco camisa 12” no Google.

Ora, Bruno assumiu a vaga de Heidfeld na Renault graças aos seus patrocinadores pessoais: Gillette, Embratel e Eike Batista. Não se tem notícia de protestos em logradouros públicos na Alemanha por isso. Petrov também dançou no time e não consta que a polícia moscovita tenha tido problemas na Praça Vermelha. O primeiro-sobrinho, se virasse titular, entraria com grana. Provavelmente mais do que Grosjean, que não é propriamente garoto-propaganda da Total. É, apenas, uma preferência da empresa que despeja bons milhões na equipe. Faz tempo, diga-se.

Na F-1, empresas escolherem pilotos e pilotos entrarem com grana de patrocínio é prática do passado, do presente e do futuro. Não há nada demais nisso. Se Bruno fosse o escolhido, será que nossos pachecos demonstrariam alguma indignação por ele ficar com o lugar de um piloto com currículo muito melhor que o dele, como Grosjean?

Grana é grana, em resumo. E se vem acompanhada de talento, melhor ainda. Alonso (Telefónica), Schumacher (Mercedes), Barrichello (Arisco) e muitos outros começaram a carreira dessa forma. Outros não precisaram, as coisas foram simplesmente acontecendo.

É assim.

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