SKODA, ESLOVÁQUIA, PLANOS – 30/12/2011

O que fazer com um ano que começa?

Tenho poucas ambições: construir uma garagem e correr uma prova de 24 horas. O resto é aquela babaquice de sempre: comer melhor, voltar para a academia, telefonar mais para as pessoas, ajeitar as contas, encarar os quase 50 como deve ser encarada a proximidade com a velhice, por mais que me sinta um jovem inseguro e indefeso diante de um mundo cada vez mais maluco.

Bem, sobrevivi a dois séculos distintos, não serão mais doze meses que me farão ser mais ou menos do que sou. Talvez seja importante fazer uns projetos. No meu caso, quase todos têm um carro no meio. Comprar uma Kombi Safári e ver até onde ela aguenta. Voar para Budapeste, arrematar o Skoda de menos de mil euros, sair com ele pela neve e pelo frio, largá-lo em algum canto, e entre comprá-lo e largá-lo apaixonar-me por uma eslovaca que não fala inglês, nem italiano, nem francês, nem nada.

A Eslováquia é um bom lugar para se encontrar consigo mesmo. Pequena e discreta, quase anônima, povoada por gente que fala uma língua incompreensível e indefinida. Lá ninguém me conhece, ninguém vai ficar chocado com um cara num Skoda vermelho. É apenas um cara a caminho de algum lugar, com uma mochila e um laptop, sem destino certo, nem na Europa, nem na vida. Não diz respeito a ninguém, my business. A Europa é legal porque ninguém te pergunta nada.

Gosto de estrada, de carros, de corridas. Pouca gente compreende o que é uma estrada de fim incerto, ou uma corrida de carros. A busca pelo nada, uma bandeira quadriculada ao final, a sensação de um dever cumprido depois de breves vitórias, uma ultrapassagem, uma freada mais lá dentro. Dever cumprido para quem? Para você mesmo. Fizeste o que o mundo esperava que fizesses? OK, meu irmão camarada. Vá fazer, agora, o que você esperava de você mesmo quando tinha 15 anos. Ou 18, ou 20.

Não me preocupo com o futuro. O futuro é uma corrida de carros que geralmente tem começo, meio e um fim meio besta, anticlimático. A quadriculada, acabou. Troféu, não-troféu, dane-se. O importante é o meio, o que ninguém vê. Vamos a 2012. Começa amanhã, termina daqui a 365 dias (é bissexto, 2012?), consta que pode terminar antes, segundo os maias, astecas e aborígenes. Lembremo-nos das ultrapassagens feitas, esqueçamos as que levaremos, sempre somos ultrapassados, o tempo todo.
2012 é apenas mais um ano, não será nada de especial ou diferente. Façam suas listas de prioridades.
Não é preciso realizar nenhuma. Fazer a lista já é mais do que a maioria faz. Aos que me leem em papel, até um dia. Aos que me leem numa tela que se apaga ao toque de um botão, até a semana que vem.

O calendário gregoriano não passa de uma farsa imperialista, não se iludam.

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