TEM DE GOSTAR MUITO – 18/11/2011

Daqui a uma semana Interlagos estará vivendo mais um GP do Brasil de F-1. Será a 30ª corrida da categoria em São Paulo e a 41ª no país, incluindo nessa conta as duas provas extra-campeonato realizadas em 1972 (em Interlagos, mesmo, a primeira de todas) e 1974 (em Brasília).

Puxando pela memória, não me lembro de prova tão apagada quanto a deste ano. Desde que a F-1 voltou a Interlagos, talvez seja a menos empolgante — e não por acaso há ingressos disponíveis.

No início dos anos 90, a simples presença de Ayrton Senna garantia o ânimo dos torcedores e da mídia.
Depois de sua morte, Barrichello teve de carregar a cruz da pachecada e foi bem com a Jordan em 1996 (segundo no grid), com a Stewart em 1999 (terceiro na largada) e nos anos de Ferrari, entre 2000 e 2005, embora sem conseguir grandes resultados finais. Mesmo em 1997 e 1998, temporadas em que Rubens pouco pôde fazer com a Stewart, a prova acontecia no início do campeonato e não tinha o caráter de fim de festa que se nota agora.

De 2005 para cá, este GP do Brasil é disparado o mais morno de todos. Basta lembrar que nesse período cinco títulos foram decididos em Interlagos, o que sempre garante a emoção, mesmo quando não há pilotos brasileiros envolvidos. Em 2005 e 2006, vimos aqui o bi de Alonso — com o bônus, em 2006, da pole e da vitória de Massa. Em 2007, Felipe largou na pole e Raikkonen foi campeão. Em 2008, a mais eletrizante das decisões de todos os tempos, com o título ficando com Hamilton e Massa vencendo de novo. Em 2009, Barrichello fez a pole e Button foi o campeão. E, no ano passado, a disputa estava totalmente aberta em Interlagos, com a taça ficando com Vettel apenas na corrida seguinte, em Abu Dhabi.

Agora, não há muito para acontecer. O campeonato foi definido faz tempo. Massa tem sua temporada mais opaca, sem um pódio sequer, contra os dez de seu companheiro espanhol. Rubens não tem chance de fazer absolutamente nada com um carro abaixo da crítica e nem a combinação capacete-amarelo-com-carro-preto-e-dourado de Bruno Senna é capaz de levar alguém a imaginar algum milagre inesperado. Até porque o carro preto e dourado não chega a causar suspiros em ninguém.

Mas uma corrida de F-1 é quase sempre um espetáculo bonito, e em Interlagos mais ainda, pois se trata de um circuito à moda antiga, apesar da mutilação de 1990. Os fãs de verdade ainda se emocionam com as cores e os sons, com a qualidade dos pilotos e a beleza dos carros.

Este GP de 2011, pois, será assim. Um evento para os que gostam de verdade de corridas, num país em que elas estão a cada dia que passa mais em baixa. Que a pilotaiada ofereça a eles uma grande prova. É o que nos resta.

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