Rato – 04/10/2013

Motivos para escrever a você nunca faltarão. Efemérides também não. Com uma carreira tão rica, dá até para fazer uma lista de aniversários. Estreia na Europa, estreia na F1, primeira vitória, primeiro título, segundo título, saída da Lotus, chegada à McLaren, saída da McLaren, assinatura com a Copersucar, último GP na F1, primeiro teste na Indy, primeira corrida nos EUA, primeiro título, primeira vitória em Indianápolis, segunda, acidente de Michigan, última corrida na Indy, e dá para fazer o mesmo, nessas duas categorias, com pódios, poles, pontos, os primeiros e os últimos, as chegadas e as despedidas.

Hoje, por exemplo, é aniversário da sua primeira vitória na F1: 4 de outubro de 1970 no Glen, dando o título póstumo ao seu parceiro de Lotus, Jochen Rindt. Data importantíssima. Nesse dia, você que já tinha aberto a porta da Europa para a brasileirada, escancarou a dita cuja como que dizendo aos caras lá: olha aqui, a gente não só guia direitinho, como sabe ganhar corrida, também. Podem trazer o resto.

E trouxeram, como não? Depois de você vieram o Moco, o Wilsinho, o Alex, o Luizinho, o Chico, o Nelsinho, o Ayrton, e todos os outros que formam uma lista bem gorda e ainda não acabou, embora esteja em vias de. Assim como farta, em quantidade e em talento, é a relação dos que entraram pela outra porta cuja tranca você se encarregou de abrir com destreza e categoria, a dos EUA. Gil, Cristiano, Helinho, Tony… É para se orgulhar. Ô se é.

Mas não é nem da Indy nem da F1 que quero falar com você hoje, Rato — nada de Emmo, nem mesmo Fittipaldi; Rato, mesmo, é como seus melhores amigos sempre te chamaram. Vou aproveitar os 43 anos da primeira vitória entre os grandões para falar da maior derrota da sua vida. Que daqui a pouco faz aniversário, também. Foi nos dias 19 e 20 de novembro. De 1966.

Claro que você sabe do que estou falando, Emerson. Das Mil Milhas de 1966.

Eu sempre achei as histórias dos derrotados melhores que as dos vitoriosos, no esporte. Em todos eles. Os dramas são mais duradouros, o júbilo de um triunfo é efêmero. Tristeza não tem fim, felicidade, sim. E essa, certamente, deve doer mais em você do que qualquer outra.

OK, dor, dor, talvez seja um exagero. Hoje, 47 anos depois, é claro que a dor já passou. Ficou a lembrança da dor, da frustração, da tristeza. A memória dela, não a dor em si. Quando converso com algumas pessoas que estavam em Interlagos naquele dia, 47 anos atrás, ou outras que conhecem essa história de cor e salteado, todas dizem a mesma coisa: que você trocaria qualquer coisa por aquela vitória.

Será?

Arrisco dizer que sim. Afinal, títulos e vitórias na F1 um monte de gente tem. Uma vitória nas Mil Milhas com um GT Malzoni, essa nunca ninguém conseguiu, ninguém em sã consciência acreditaria que alguém conseguiria e ninguém mais na história da humanidade vai conseguir.

E vocês quase conseguiram. Foi por três voltas. Você, Rato, mais o Jan Balder, o Omelete, mais o Crispim chefiando os mecânicos, mais o Jorge Lettry, e os meninos da cronometragem, os mecânicos, a turma toda emprestada pela Vemag. Era a Equipe Brasil, com mais dois Malzonis e duas carreteras, a do 13, encurtada, e a #11, de teto baixo. Todos os cinco brancos com os números em bolotas pretas, como no time oficial, embora a Vemag já tivesse fechado seu departamento de competições alguns meses antes e já tivesse sido vendida para a Volkswagen. Mas a fábrica deu apoio, equipamento, pessoal. Só não pagou pneu, gasolina e comida. O resto era Vemag. Vemag era Brasil.

E o Malzoni #7, o seu e do Jan… Motorzinho DKW de 1000 cc de cilindrada, um pouco mais fraco que os outros dois, comandados pelo Marinho (#10) e pelo Norman (#4), ambos 1100 cc, um pouquinho mais bravos. Afinal, eram pilotos mais experientes, e vocês não passavam de dois garotos. Na coluna traseira, pintaram um rato e um omelete. O Rato e o Omelete. Que dupla. Rato, 19. Omelete, 20. Quem imaginaria que vocês brigariam pela vitória? Ninguém. Eram café-com-leite, quase. Todos conheciam vocês, viviam em Interlagos, mas no meio daquelas feras, da turma da Jolly, da Willys, da Dacon, não, não dava para apostar no Rato e no Omelete.

E brigaram. Aconteceu de tudo naquela corrida, é verdade. Como sempre acontecia, em Mil Milhas. Problemas mecânicos, asfalto se soltando, mangas de eixo quebradas, rodas arrebentadas, visibilidade zero, faróis queimados, gente atravessando a pista, mas uma hora, quando o dia amanheceu e as coisas começaram a ficar mais claras, todo mundo achava que o Karmann-Ghia Porsche da Dacon, do Moco e do Totó Porto, iria acabar vencendo. Motorzão 2.0, um canhão. Que carro, aquele KG… Mas eles também tiveram problemas, acho que na caixa de direção, e de repente olha lá! Três Malzonis em primeiro, segundo e terceiro! Dava para acreditar? Não, não dava.

Finalzinho de prova e vinha voando a carretera amarela #18 do Camilão e do Celidônio, que tinha perdido umas voltas por punição — lâmpada queimada. Mas era um carrão, motor Corvette, quem seria capaz de segurar aquele V-oitão empurrado pela massa do Canindé? Pelos cálculos do Lettry, eles iriam acabar passando os outros dois Malzonis, mas você e o Omelete podiam ganhar. Por pouco, mas podiam. Seria, Rato, a maior vitória da sua carreira. Indianápolis que me desculpe. Você pode até não concordar, mas não importa. Para mim, nada que qualquer um fizesse no automobilismo mundial dali em diante seria comparável a ganhar as Mil Milhas com um Malzoni.

Mas aí aconteceu aquilo tudo, o motor começou a falhar, ficou em dois cilindros, para, não para, o Omelete não queria parar, você sinalizou para ele parar, ele acabou parando, e o Crispim trocou uma vela com o motor funcionando, mas não tinha jeito, um dos pistões estava derretendo, voltou a falhar, e o Camilão chegando, e todo o teatro do box deles mostrando o funil, talvez eles precisassem abastecer, parece que precisavam mesmo, e acabou que o Camilão ganhou, na verdade o Celidônio recebeu a bandeirada, o Marinho também passou vocês, e no fim deu um terceiro lugar.

As fotos daquele dia são maravilhosas, as poucas que vi, uma delas sua cara de choro no pódio, ao lado do Camilão sorridente e do Celidônio segurando um Mug. Claro que dá tristeza, mas já se vai quase meio século, não tem tristeza que dure tanto. Como eu disse, fica a lembrança da tristeza, não a tristeza em si.

Que dia, Rato, que dia aquele 20 de novembro! Que grande história, talvez a maior história de uma única corrida disputada no Brasil, certamente a mais emocionante de todas as Mil Milhas. E você participou dela, e hoje, no dia do aniversário de sua primeira vitória na F1, eu queria lembrar dessa derrota.

Porque, no fundo, não foi derrota nenhuma. Foi, sim, uma linda vitória, sua e dos meninos da Vemag, levar aquele carrinho até o fim, chegar tão perto da maior de todas as vitórias numa corrida que teve 201 voltas em 14 horas e meia, e foi por três, apenas três, que você não pôde abraçar o lindo troféu da Bardahl, “Glória imortal aos vencedores” está escrito nele, mas poderiam acrescentar “e aos terceiros colocados na edição de 1966” que, certeza, todos concordariam.

Bem, parabéns pelos 43 anos daquele dia no Glen. Merece um brinde, este 4 de outubro, e não deixe de fazê-lo. Mas no dia 20 de novembro, faça outro e lembre-se da derrota. Da derrota mais vitoriosa de todos os tempos, glória imortal aos derrotados, devo dizer, glória imortal a você, Rato, ao Omelete e a todos os outros.

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Bernie – 27/09/2013

Vamos lá, fiz umas contas depois de ver o calendário que você e seu amigo igualmente baixinho Jean Todt divulgaram esta semana. São 22 GPs em 259 dias, contando a data inicial da primeira corrida, 16 de março, até a última, 30 de novembro. Um GP a cada 11,7 dias. Calculei até quanto todo mundo vai viajar no ano que vem usando um desses sites de mapas e rotas. Usei como ponto de partida, sempre, Silverstone. É lá que fica a Force India, a velha e boa Jordan. E no entorno tem um monte de outras equipes. Para o senhor entender o cálculo, sempre que há pelo menos uma semana entre uma corrida e outra, usei como critério a volta da turba à Inglaterra. O total foi de precisamente 189.617 km. Me deu um trabalho desgraçado. Veja bem: quase 190 mil km! Por terra, ar e mar.

Pois bem, 22 corridas, sendo 9 na Europa, 8 na Ásia/Oceania, 1 na América do Sul e 4 na América do Norte. Portanto, das 22 etapas, teremos 40,9% de provas na Europa, a velha Europa, a delícia da Europa. E 36,3% na Ásia/Oceania (estou usando critérios geopolíticos do War, se é que o senhor me entende).

Quando eu comecei a cobrir F-1, em 1988, o calendário tinha 16 etapas. De 3 de abril a 13 de novembro, 224 dias, uma prova a cada duas semanas, exatamente. Naquele ano, foram 10 corridas na Europa (62,5% do total), 1 na América do Sul, 3 na América do Norte e 2 na Ásia/Oceania. Não precisa fazer a conta, já fiz: 12,5% na Ásia/Oceania, região do planeta também conhecida como cu do mundo ou, numa definição um pouco mais popular e menos polida, na puta que pariu sem número. Ou, ainda, na casa do caralho.

Também calculei as distâncias, sim. Foda, trabalhão da porra: 118.225 km.

Não precisa pegar a calculadora, já fiz todas as contas. Em 2014, caso essas 22 corridas sejam mesmo realizadas, a galera vai viajar 60,3% mais do que se viajou em 1988.

Meio exagerado, né não? Bem, tem três corridas aí com asterisco. Ou asterístico, como alguns falam por aqui: Coreia do Sul, Nova Jersey e México. Pelo que andei assuntando aqui e ali, as duas primeiras estão no calendário só para constar. Ninguém aguenta ir para aquele fim de mundo de Yeongam, e os caras de Nova Jersey não têm dinheiro. No México a coisa parece não ser tão complicada assim. Já tem autódromo, são dois chicaninhos correndo, grana não vai faltar. No fim, vamos ficar com 20 etapas e não se fala mais nisso.

Essa sua história de tomar o rumo do Oriente deu certo mesmo, Bernard? OK, é onde está o dinheiro, mas diga a verdade… É legal ver as arquibancadas de Sepang, Xangai, Yeongam, Sakhir, todas às moscas? Isso porque nem estou falando daquele pardieiro da Índia. Ah, mas Cingapura e Abu Dhabi são um sucesso, você vai dizer. Menos, né? Povinho mais sem graça, que vai ver essas corridas. Não sabem nem quantas rodas tem um automóvel. Fora que a pista de Abu Dhabi é um lixo. Toda lindona, cintilante e limpinha, mas uma porcaria. Vamos combinar que desse monte de circuito novo, o único que prestava era o da Turquia. E lá também ninguém ia ver o GP, acabou por falta de público. Uma lástima.

Bem, não tenho nada com isso, o campeonato é seu, não sou piloto, não sou mecânico, parei de viajar faz bastante tempo atrás de todos os GPs, depois de 18 anos na labuta aérea e hoteleira, por mim tanto faz se as corridas acontecem em Barueri ou em Urano. No fim das contas, vou ver pela TV, mesmo. O que aborrece, mesmo, são os horários. Muita corrida de madrugada, Bernard, é duro segurar o sono. De qualquer forma, não ache que vai receber aplausos por esse calendário inchado e desmesurado. Por mais que compreenda sua incansável caça ao dinheiro, não me conformo de ver um Mundial de F-1 sem a França, sem Portugal, sem a Argentina, até sem Imola — para não falar de países muito legais que já tiveram seus GPs, como Suécia e Holanda.

Tudo bem, pode parecer nostalgia boba, os tempos são outros, é preciso olhar para a frente. Beleza. Eu tenho mania de olhar para trás, fazer o quê? Aproveitando, entreguei ao seu amigo húngaro que cuida da corrida aqui do Brasil um desenhinho interessante para Interlagos. Olhando para a frente, mas um pouquinho para trás, também. Se puder, dê uma espiada com carinho. As coisas andam meio derrubadas aqui no Brasil quando se fala em automobilismo e em F-1. Não sei nem se teremos piloto no ano que vem. Pode ser que a única coisa atraente de Interlagos em 2014 seja justamente Interlagos.

Abraços, e beijos para a Fabi.

Ninhôôô – 20/09/2013

Você acabou de fazer 30 anos. É uma boa idade. Jovem e maduro, se é que me entende. Ah, e antes que digam alguma coisa, essa história de “Ninho” do título é culpa rigorosamente sua, por conta de um vídeo que você mesmo colocou no ar outro dia, ao levar sua mulher para uma volta num autódromo. Maldade sua com a moça, acelerar daquele jeito. Mas que foi engraçado, foi. Eu nunca soube que em casa você era chamado de “Ninho”. Na verdade, te conheci como “Júnior”. Augusto Jr., filho do Augusto pai, pois. Farfus também veio depois.

Vejamos… Fim de 1994? Provavelmente sim. Um evento de apresentação da Forti Corse aqui em São Paulo, num restaurante no Itaim, se não me engano. Na mesa, Pedro Paulo Diniz, futuro piloto da equipe, Roberto Moreno, já um veterano, e você, um fedelho de 11 anos que tinha o mesmo patrocínio da Credicard que os dois que alinhariam o carro da nova equipe na F1. Não entendemos, nós os jornalistas, sua presença ali. “Cadê o pai desse menino?”, brincamos. Aí nos explicaram. O menino era o tal de Augusto Jr., paranaense, vice-campeão brasileiro de kart e campeão paulista na Júnior Menor. Estava ali meio de contrabando, o evento envolvia vários patrocinadores, e um deles era o mesmo que o seu. Aí alguém me contou que seu pai era dono de restaurantes em Curitiba e que a Credicard tinha uma ótima parceria com ele, algo assim. Era isso mesmo? Acho que sim.

Verdade seja dita, não demos muita importância porque: 1) ali, a criação de uma nova equipe de F1, com dois pilotos brasileiros, era o motivo do evento; e 2) se tinha uma coisa que não faltava no Brasil na época era moleque bom no kart sendo rotulado de “novo Senna”, ainda mais no ano da morte de Ayrton, meses antes.

Assim, um garoto a mais, um garoto a menos não fazia muita diferença. OK, é bom, quem sabe vire alguma coisa, o tempo dirá. A maioria não vira nada. Acho que no dia seguinte, ou naquele dia mesmo, almocei com você, seu pai e já não lembro se algum assessor de imprensa amigo, ou empresário. Como diz um amigo meu, tem duas coisas que não se pode perder nesta vida: pênalti e almoço de graça. Me convidaram, fui. E então conheci você, um menino de 11 anos, almocei de graça e fui cuidar da vida.

E você foi também. Mais muitos anos de kart, até 1999, a gente aqui acompanhando a distância, mas nada de muito especial, porque o kart, sejamos sinceros, recebe uma atenção muito restrita da imprensa. Não dá para acompanhar tudo, não nos culpe. Em 2001, porém, veio um resultado nada desprezível: campeão europeu de F-Renault. Opa, quem é esse menino? Ah, aquele Augusto Jr., do Paraná. Caramba, que legal, o menino está andando bem, que beleza. Fiquemos atentos. Então, quando você ganhou a F-3000 Europeia em 2003, já como Farfus, a coisa ficou interessante. O campeonato não era grande coisa, uma espécie de Série B da F-3000 Internacional que fazia preliminar de F1, mas foi de lá que Massa saiu direto para a Sauber. Portanto, olho nesse garoto. E começaram a surgir especulações bem fortes, inclusive com negociações bem avançadas com a Jordan.

Por um motivo ou outro (um: dinheiro; outro: dinheiro, também), acabou não dando certo. E em 2004, em vez de se aboletar dentro de um formulinha qualquer, drenando as finanças da família, lá estava o garoto Farfus num carro de Turismo, contratado para disputar o Mundial pela Alfa Romeo. Fez bem? Fez mal? Olha, sendo muito franco, novamente, as atenções não eram muitas para o novo rumo da sua carreira. Tínhamos Barrichello na Ferrari, tempos divertidos, Massa na Sauber, promissor e futuro piloto de Maranello, e na Indy o Tony conquistava seu primeiro título com uma campanha notável. O Mundial de Turismo era algo menos relevante.

E você nem aí para relevâncias. Foi cuidar da sua carreira de piloto profissional, três anos de Alfa Romeo, resultados sólidos, reputação sendo construída, ganhou Macau em 2005, mais três corridas em 2006, tudo pela Alfa, e de vez em quando a gente se esbarrava num avião aqui, noutro ali, como estão as coisas?, ah, estão bem, e realmente estavam. Tanto que em 2007 a BMW te contratou para a equipe oficial do WTCC, e não dá para dizer que você fez pouco pelos alemães, não. OK, não foi campeão, mas como desprezar as vitórias nas 24 Horas de Nürburgring, duas, a pole em Le Mans na sua categoria, e mais uma vitória em corrida de 24 horas, em Dubai?

Daí que ninguém se surpreendeu quando a BMW voltou ao DTM, o principal campeonato de Turismo do mundo, e te escalou para o time de fábrica. Quem mais? Melhor estreante no ano passado, uma vitória, mais duas neste ano e olha, Ninho, digo, Júnior, dá gosto de ver. Dá gosto de ver a posição que você conquistou junto à equipe, a reverência que os alemães prestam a você, seu nome sendo inscrito na história de uma das marcas mais importantes do mundo, sua simpatia, sua dedicação, seus resultados, o respeito dos adversários, tudo aquilo que faz um piloto se orgulhar do que fez lá atrás, das escolhas difíceis, da mudança de rumo, da coragem que é necessária para abrir mão de um sonho, a F1, e correr atrás de outro.

O Brasil anda mal das pernas no automobilismo, você sabe. Mas tem uns caras, poucos, como você que ainda nos ajudam a lembrar que já fomos bons nisso.

Felipe – 13/09/2013

Começando do começo. Soube da sua existência lá pelo fim dos anos 90, você com uns 16 ou 17 anos na F-Chevrolet, meu amigo e quase sócio Ricardo Tedeschi te dando uma força. Então foi para a Europa numa pindaíba danada, teve até aquela história de ganhar um prêmio em cerveja por uma vitória e ter de vender as latinhas para pagar o aluguel, essas coisas que quando a gente olha para trás ri e se orgulha delas.

Aí, em 2001, um teste na Sauber. Ricardo, telefonei, que legal! O menino é bom, é humilde, rápido, vamos ver o que dá, responde o Ricardo.

No ano seguinte, a apresentação como piloto da Sauber aqui em São Paulo, num hotel na Vila Olímpia, ou no Itaim, você magrinho e meio assustado com aquela gente toda, e desde o início eu sabendo que no fundo era tudo com a Ferrari, mas sem poder publicar, cravar, como a gente diz, porque você e o Ricardo eram dois túmulos, souberam guardar o segredo por anos a fio.

Foi em Melbourne que conhecemos melhor sua família, o Titônio, a Ana, seu irmão, sua irmã, tudo gente boa e simples, e foi um ano de altos e baixos, 2002, os primeiros pontos na Malásia, uma corrida que considerei espetacular em Ímola, mais pontos, muita luta, algumas cagadas, e o velho e rigoroso Peter Sauber te devolve para a Ferrari, e aí aprende, aprende e aprende com Schumacher, e mais dois anos de Sauber e você estava pronto.

Era bem improvável alguém com seu currículo nas categorias menores, bom, verdade, mas modesto e sem muito glamour, sem grana, sem pose, virar titular da Ferrari. Mas isso quem conseguiu foi você, treino a treino, teste a teste, corrida a corrida. O improvável virou realidade, e não tem como não se sentir grande quando algo assim finalmente acontece.

Vieram as poles e as vitórias, virou piloto de ponta, encarou a chegada do Raikkonen com serenidade e confiança, e fez aquela temporada inesquecível em 2008. Eu nunca vi alguém receber uma derrota como você recebeu em Interlagos. Nunca vi tanta dignidade num esportista. Deu orgulho, não por ser brasileiro, essas babaquices nacionalistas. Mas porque eu sabia de onde você tinha vindo, como tinha chegado lá, conhecia bem sua trajetória e seu caráter.

Caráter.

Coisa dura de encontrar por aí. Naqueles primeiros anos de Sauber e Ferrari, nunca se dirigiu a mim, e a nenhum jornalista, em tom de cobrança e mágoa, ou reverência e gratidão, por eventuais críticas ou pela bajulação tão comum nesse meio. Nada. Um comportamento impecável, simpático, profissional, correto. Uma única vez, brincando, me perguntou quando eu ia te dar uma nota melhor no ‘Lance!’, um dos jornais para os quais eu escrevia na época. Parecia o aluno que pede para o professor dar uma canja. Quem sou eu…

Então veio o acidente da Hungria em 2009, que foi pior do que as pessoas imaginam. Mas que, tenho certeza, e isso sempre disse, escrevi e achei, não teve nada a ver com o declínio dos resultados nos anos seguintes. Ele ocorreu, é evidente, o declínio. Resultados piores, erros não tão comuns, insegurança, corridas discretas, outras ruins, mesmo, dúvidas sobre o futuro. Para mim, a explicação era uma só: Alonso, um piloto duro, fortíssimo, melhor que você, e nem sempre é fácil lidar com isso num ambiente em que a competição é que manda. E você lidou com tudo com a tranqulidade e firmeza, até com o “faster than you”.

OK, agora acabou esse capítulo vermelho-Ferrari. A troca por Raikkonen não chegou a ser uma grande surpresa e, ao que parece, não te abalou demais. Era esperado, você ficou 12 anos na mesma casa, uma hora esses casamentos terminam, assim é a vida. Você avisou pela internet, não escolheu ninguém para dar a notícia com exclusividade, agradeceu a todo mundo, comportou-se com a mesma dignidade de sempre.

Há dois caminhos, aparentemente: Lotus e Sauber. Isso se você estiver disposto a ficar por aí. Imagino que esteja. Eu estaria. Jamais me sentiria acabado com 32 anos de idade. Nem com 49, nem com 80. Qualquer uma das duas vai ser legal. A Sauber você conhece, pode ajudar na reestruturação do time, os objetivos serão outros, não vai lutar para ser campeão, para ganhar corridas, mas para mostrar quem é e o que pode fazer num ambiente menos carregado, menos tenso, mais livre, sem pressão e pentelhação. E para se divertir, se sentir bem. Na Lotus, sabe-se lá… Ano que vem vai ser diferente, muita coisa nova, se a equipe conseguir manter o pique acho você um ótimo nome, eu apostaria, apesar de o alemãozinho lá, Hülkenberg, ser muito bom e promissor, também.

Importante é estar feliz e em paz. Se não for a F1, que seja em outra categoria, se assim achar que deve. Tem vida fora da F1, é óbvio, e ela pode ser melhor do que se imagina. Correr é o que você gosta de fazer? Então corra. Corra por você, pelos que gostam de você. Onde for. Isso não tem a menor importância.

Boa sorte, pequeno gnomo. Sim, você é mais alto que eu, consigo ser mais nanico até que um nanico como você. Mas como não é muito, dois ou três centímetros, posso te chamar de pequeno gnomo. Que não é ofensa nenhuma, o mundo ainda será dominado pelos baixinhos. Ocupamos menos espaço, comemos menos, consumimos menos, somos muito melhores para o planeta, temos a grandeza concentrada. Você certamente tem.

Kimi – 24/08/2013

Pensei em te chamar para um papo de mesa de boteco, mas não sei se eu aguentaria seu ritmo. Essas coisas que vocês, nórdicos, bebericam são fortes demais para mim. Então, receba esta como sinal de estima e admiração. Fica aí com seu salmiakki que eu me viro aqui com minhas caipirinhas de jabuticaba.

E uma conversa não iria muito longe, também, visto que você não fala. O que deve estar dificultando as coisas quanto ao seu futuro. Quando eu leio nos jornais (“jornais” é modo de dizer; desconfio que ninguém mais lê jornais, aqueles de papel) que “Räikkönen conversa com Ferrari e Red Bull”, dou uma gargalhada. Räikkönen nunca conversa com ninguém. Desconfio que nem com seu empresário. Que é quem está resolvendo as paradas todas.

Bom, uma hora você vai ter de falar com o empresário. Nem que seja para dizer “sim” ou “não”. No fundo, você está certo. Quase tudo na vida se resolve com um “sim” ou com um “não”. Fala-se demais, às vezes.

Pois vamos às opções. Red Bull? Não. Diga “não”. Não adianta querer se iludir. Lá tem o Vettel e não sei se você vai ganhar dele. OK, pode ser até que ganhe, mas é arrumar dor de cabeça. Menos por ele, que talvez você seja capaz, mesmo, de andar na frente do moleque. Mas a equipe é cheia dos marqueteiros, o Horner é meio coxinha, o Marko é um mala, não vale a pena esquentar a moringa. E, depois, nada garante que no ano que vem eles vão ganhar o campeonato de novo. Ano que vem é um mistério. Pode ser que errem a mão. Acontece, uai. O Newey não vai fazer carro bom a vida inteira, não é possível.

Ferrari? Não. Diga “não”. Pensa bem, rapaz. Você já correu lá. Tem coisa mais chata? Os caras ficam te vigiando o tempo todo, não pode dizer isso, não pode dizer aquilo, se falar mal do carro o presidente fica bravo, o diretor faz biquinho, o cozinheiro deixa passar o ponto do macarrão, a mocinha serve o café expresso frio, se alguém espirrar e você quiser dizer “saúde”, só através de comunicado oficial, e é aquele dramalhão a cada mau resultado, a cada carro errado, uma tragédia desgraçada, sai fora. Foram três anos, não? Já deu. Ganhou até um campeonato. Lucro absoluto.

Lotus? Sim. Diga “sim”. Veja bem, como dizia meu amigo Cyro César, saudoso locutor da Jovem Pan. Ou “veje” bem, como ele gostava de brincar. Onde mais você teria tanta liberdade para xingar neguinho pelo rádio, atrasar em entrevista, não ser escalado para evento promocional nenhum? Os caras nem têm patrocinador direito, não precisa subir nos HCs e distribuir sorrisos e autógrafos, tirar fotos com executivos e seus filhotes, é a equipe mais legal do paddock, disparado. Sossego total, não tem cobrança, se ganhar, ganhou, se não ganhar, não ganhou, se vier um pódio, muito que bem, se não vier, está tudo bem também.

E dá para ganhar aqui e ali, o carro não quebra, já são quantas corridas nos pontos? E eles tiram uma onda da sua cara, fazem piadinhas, não têm nenhuma preocupação com aquelas babaquices politicamente corretas, você toma cerveja no paddock, usa chinelo Rider (isso eu vetaria), se veste como um jacu, sai de férias quando quer, enche a cara com os amigos, ninguém fica te policiando, tem vida melhor?

Assim, para resumir, dois “nãos” e um “sim”. Fique onde está. Já imaginou correr com o Alonso? O cara só dá risada quando ganha corrida. Parece que não tem mais nada importante no mundo. Vive citando frases orientais de auto-ajuda no Twitter. Onde ele pega essas frases? No Google? Se acha um samurai injustiçado pelo destino. Não deve beber nem sidra Cereser. Quando está de folga, fica andando de bicicleta e fazendo ginástica. E o Vettel? Chorãozinho, reclama de tudo, não pode passar pela direita, não pode passar pela esquerda, não pode colar atrás, ui ui ui, olha o que ele fez, por que ele fez isso, um malinha, vamos e venhamos.

Lotus, negão. Fica aí mesmo. Carro preto e dourado, motor Renault, vai ser o mesmo em 2014, o Grosjean te trata com reverência, tem até medo de você, me contaram que um dia vocês chegaram juntos no motorhome e ele abriu a porta para você entrar primeiro, ninguém sabe quem vai andar bem no ano que vem, vai por mim, fica aí.

Só vê direito esse negócio da grana. Estão pagando nos conformes? CLT, na carteira? Ou é PJ? Terceirizaram, é? Bom, cada um sabe onde o calo aperta. Combina aí um salário e pronto. O combinado não é caro. Dando para tomar uns tragos e alugar um barquinho no verão, comprar uma boa motocicleta e um Lada (eu sei que foi seu primeiro carro, amoleça seu coração uma vez na vida, vai atrás de um igual), está de bom tamanho. Mas não deixa os caras atrasarem, não. Isso é sagrado.

Abraços, boa corrida aí na Bélgica. Aproveita e toma umas cervejas daquelas dos monges. São caras, mas excelentes. Depois da corrida, de preferência.

Gorducho – 16/08/2013

Fiquei sabendo que o Chip Ganassi não vai renovar seu contrato. Acabou a mamata. Também, mais de sete anos aí e nada? Duas vitórias em 239 corridas? Fazer o quê, agora?

Tenho sugestões. Apesar dessa sua paixão pela América, pelos sanduíches, pelos refrigerantes, pela cafonice de Miami, por montanhas-russas e pelas gírias do Bronx, acho que seu lugar é a Europa. Para correr, pelo menos. Vejamos. Você está com 37 anos e meio rechonchudo. Voltar à F1 está fora de questão. Vamos ser sinceros… Ninguém mais se lembra de você por lá. Culpa sua. Saiu falando um monte e as pessoas se decepcionaram com sua decisão. Afinal, hermano, chegaste com fama e marra. Justificadas. Ganhou a F3000 num ano, a Indy no outro, mais uma temporada boa nos EUA e caiu logo de cara na Williams, estrutura de time grande, BMW por trás e tudo mais.

Já ganhou corrida no primeiro ano, teve aquele chega-pra-lá no Schumacher em Interlagos e pronto, virou ídolo. Fez um monte de poles e andou sempre na frente. Depois foi para a McLaren. Era da turma da ponta. E então, de repente, avisa no meio da temporada que não quer mais, troca a F1 por essa coisa provinciana e cafona da Nascar, queria o quê? Que te chamassem de volta? Pode tirar o cavalinho da chuva.

OK, tenho cá comigo algum preconceito com a Nascar. O “cafona” aí em cima é por minha conta. Na verdade, o preconceito é com os Estados Unidos. E vamos ser sinceros… Os caras na Nascar não gostam de forasteiros. É como naquelas cidades do Velho Oeste, em que chega um sujeito de fora, entra no saloon e todo mundo para de conversar, a música é interrompida, o sujeito chega no balcão, pede um trago e o barman ignora. Até que alguém com chapéu enorme, barba por fazer, Colt no coldre, vai até o estranho e pergunta o que é que ele está fazendo ali. E então começa a pancadaria e o tiroteio.

Não vou dizer que vi todas suas corridas na Nascar, na verdade não vi quase nada, nem sei se você levou pancada ou tiro de Colt. Mas creio que você passou pela situação do cara que chega no balcão. E nessas histórias de faroeste, se não for o mocinho do filme, não ganha. Seu caso, precisamente. Você não virou mocinho na Nascar, e não ganhou.

Ganhou muita grana, isso a gente sabe. Fiz umas contas aí e só nos últimos cinco anos, foram 23 milhões de doletas. Em prêmios. Deu para fazer uma poupança razoável. Vai gastar em quê? Em Double Whoppers?

Me diga… Se não aparecer outra jabiraca qualquer para você correr, vai fazer o quê? Parar?

Não, não pare. Apesar de um certo ressentimento na Europa, eu diria que você ainda tem espaço para algumas coisas. Não falemos mais de F1, já disse que isso acabou, você passou da idade e do peso. Se bem que cheguei a imaginar uma volta em grande estilo, como fez o Kimi. Mas no seu caso é mais complicado. Entre outras coisas, teria de fazer um bom regime. E não sei se teria saco para começar quase do zero. Não, esqueça. Mas tem o WEC aí. Equipes legais, carros grandes, poucas corridas por ano e uma enorme boa vontade de todos para trazer nomes famosos. Já imaginou você de Porsche com o Webber? Por que não bate um fio para ele? O que é bater um fio? Telefonar, Juan Pablo, antigamente a gente falava assim, bater um fio, os telefones tinham fios ligados na parede. Ainda têm, alguns. Nesses motéis de beira de estrada aí na América todos têm fios ligados na parede.

Bem, é uma ideia. A Toyota pode ser outra. Você deve conhecer gente na Toyota. Teve um ano na Indy que você andou de Toyota, não teve? Em 2000? O ano que ganhou Indianápolis? Sim, eu sei, nas 500 o motor era outro, Oldsmobile, alguma coisa desse naipe, mas no campeonato da Champ Car era Toyota. Deve ter sobrado algum amigo japa para você bater um fio.

O que eu acho é que você desperdiçou sua carreira saindo da F1. Esses anos aí de Nascar pouco mais te trouxeram do que dinheiro e calorias. Do ponto de vista esportivo, não vi grande vantagem, não. Olhei as estatísticas, porque os caras aí têm estatística para tudo, e sua posição média de largada foi 19° e de chegada, 22°. Desempenho muito próximo do meu Lada de corrida. Sim, eu corro de Lada. Não, não adianta dar risada. Tenho mais troféu do que você. Enfim, reconhece a queda e não desanima.

E Connie, como está? E as crianças? Isso a gente tem de admitir, ela parece adorar os EUA, as crianças idem, e você tem tempo para curtir a família, apesar desse monte de corrida por ano. É tudo mais o menos perto, dá para dormir quase todo dia em casa. Se você aceitar a sugestão, essa de correr de Porsche ou de Toyota, nem precisa se mudar da Flórida. Fica por aí mesmo, o WEC tem meia dúzia de corridas, é tranquilo. E você gosta dessas provas longas, andou ganhando algumas por esses dias, tenho acompanhado meio de longe.

Pense bem. Se for ficar na Nascar, vai pegar alguma trapizonga de quinta categoria e andar atrás. Você continua sendo um forasteiro, hermano. O cara do bar sempre vai se negar a te servir um trago. E sempre vai ter um caubói de chapéu e Colt para arrumar encrenca. A vida pode ser mais tranquila, acredite. Vai por mim. Endurance, Le Mans, Spa, Interlagos. É divertido e paga bem.

Alonsito – 02/08/2013

Levou uma dura, hein, cabrón? Aprenda: não se fala mal da Ferrari em público. Uma vez o Prost fez isso. Chamou o carro de caminhão. E era mesmo. Foi demitido antes da última corrida do ano. O presidente manda na Itália, hijo. É dirigente de tudo que você pode imaginar, menos do país. Diretor de fanfarra, carnavalesco de escola de samba em Veneza, tesoureiro de sindicato, conselheiro do Vaticano e síndico do prédio onde mora. Melhor não se meter com ele.

Mas entendo sua angústia. Você não é pior que Vettel. Nem que Hamilton. Nem que Raikkonen. Faz tempo que sabemos disso. Só que já são sete anos que não pinta um título. E o tempo passa, o tempo voa. Aguenta esperar? O Schumacher aguentou. Foram quatro anos e uma perna quebrada até ganhar o primeiro na sua equipe. Aí desandou e foi aquela festa. Você completa as mesmas quatro temporadas agora. Quem sabe no ano que vem?

Eu daria uma chance ao time. Vão mudar tudo no regulamento, e ninguém sabe como vai ser com esses novos motores. Além do mais, se sair vai correr onde? Na Red Bull com o alemãozinho? Esquece. Para quê eles iriam te contratar? O cara ganhou os três últimos títulos, está sossegado, tudo que ele não precisa é de alguém enchendo o saco. Até o Webber, que nem é lá essas coisas, ele atazana. Imagina como seria com você. Na McLaren? De novo, não. Na Lotus? É sua velha Renault, ali já não dá para ser campeão. Na Mercedes? Com Hamilton? Sei…

E você também não é flor que se cheire, reconheça. Foi para a McLaren em 2007 achando que ia pegar sopa no mel com um estreante e foi aquilo que todos se lembram. Vocês, pilotos de ponta, são marrentos e não gostam de sombra. A maioria das equipes também não alimenta muito essas coisas. Em geral, dá confusão. Foi assim com Mansell e Piquet, com Prost e Senna, com… Com quem mais? Ah, você e Hamilton. E ele nem era “de ponta”.

Fique onde está, e controle a língua comprida. Se tiver de falar algo, fale em particular. É assim que a Ferrari funciona. Eles, os italianos, são muito melindrosos, se sentem ofendidos quando recebem críticas públicas.

Agora, que o carro é uma bomba, isso é. Não vai em treino, e em corrida também ficou para trás. Você até que fez alguns milagres. Mas milagre não acontece todo dia. Esse ano já foi, esquece.

O que parece é que você está vivendo o que Senna viveu quando a Williams começava sua hegemonia no início dos anos 90. Ele sabia que não teria muitos anos de carreira pela frente e não tinha mais paciência para esperar a McLaren iniciar um novo ciclo dominante. Essas coisas levam tempo. Quatro, cinco anos. Você está mais ou menos nessa. Mais quatro ou cinco anos é aposentadoria. As coisas precisam acontecer agora. Ou logo. E logo é tipo ano que vem. No más.

Tem luz no fim desse túnel aí? Acho que tem, sim. A Ferrari tem grana, não é impossível fazer um carro legal, daqueles para ganhar corridas, andar na frente. Mesmo depois do desmonte quando Schumacher parou, com aquela turma toda indo embora, Todt, Byrne, Brawn, quase foi campeã com o Felipe em 2008. E você brigou até o fim em 2010. Pode acontecer de novo. Não é tão ruim assim. Podia ser pior. Você poderia estar na Williams, por exemplo. Ou na Sauber.

Tenha fé. Mas não fique esperando as coisas acontecerem sozinhas. Às vezes é preciso mexer uns pauzinhos.

Quer o telefone do Newey?