SEM GRAÇA, SIM. E DAÍ? – 05/11/1999

Quer saber? Está em boas mãos. É verdade que é duro colocar Mika Hakkinen ao lado de Graham Hill, Alberto Ascari, Jim Clark, Michael Schumacher e Emerson Fittipaldi, os outros cinco integrantes do clube dos bicampeões mundiais de Fórmula 1. Mas não se pode tirar do finlandês o mérito de ter conseguido algo que muita gente deixou escapar: o título tendo o melhor carro nas mãos.

A verdade é que Mika, nos dois anos em que dirigiu a melhor máquina do lote, ganhou dois campeonatos. Sem tirar ninguém da pista, sem manobras desleais ou decisões nos tribunais. Só para lembrar casos recentes, Mansell tinha um carrão em 91 e perdeu, Hill dispunha do melhor equipamento em 94 e 95 e foi derrotado, e por aí vai.

Hakkinen cometeu seus erros nesta temporada, fez suas trapalhadas, teve seus azares, mas levou, de forma cristalina e limpa. Não se pode torcer o nariz para um campeão assim.

Há melhores do que ele na F-1 atual, aparentemente. O trio alemão Michael-Ralf-Frentzen, por exemplo, teve atuações dignas de campeões em 99. Mas Hakkinen não tem culpa se Schumacher quebrou a perna, nem é responsável pelas limitações da Williams e da Jordan.

Da mesma forma, não se pode crucificar o rapaz porque não tem carisma, é meio abobalhado quando fala e raramente consegue emitir uma frase de efeito, não se envolve em polêmicas, não circula a bordo de namoradas esculturais, nem aparece em “Caras”.

É seu estilo, e deve-se respeitá-lo. Hakkinen tem uma história vencedora no automobilismo, desde a F-3 inglesa, e passou por maus bocados até chegar onde chegou. Guiou para a falida Lotus, deu um passo atrás na carreira em 93, aceitando ser piloto de testes da McLaren, e sofreu um acidente que quase o matou na Austrália, em 95.

Recuperou-se a ponto de surpreender os médicos, e foi conquistando seu espaço no time aos poucos, aproveitando as chances que foram surgindo, como no GP da Europa de 97 — ganhou porque Villeneuve deixou — e no GP da Austrália do ano seguinte — venceu porque Coulthard lhe deu passagem — para se transformar num piloto de ponta e candidato a títulos.

Hakkinen é rápido e compenetrado, profissional e trabalhador, e quando erra chora, como em Monza, neste ano. Chora as lágrimas do homem que sabe o que pode perder por um erro, uma marca dos grandes esportistas.

OK, Mika é um campeão sem graça. Mas onde está escrito que os campeões têm de ser engraçados?

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C’EST LA VIE – 29/10/1999

Os nostálgicos devem estar suspirando hoje, diante da perspectiva de ter de dormir mais tarde para assistir, pela TV, a uma decisão de campeonato envolvendo dois pilotos tão pouco representativos quanto Eddie Irvine e Mika Hakkinen.

O primeiro é um irlandês maluco, que ficou famoso por ter apanhado de Senna na sua primeira corrida de F-1 e por ser desbocado, metido a playboy, investir na Bolsa e ler biografias de gente famosa, como Nelson Mandela.

O outro é tão sem graça quanto pipoca sem sal ou café expresso com adoçante, finlandês, gelado e monossilábico, cujo último grande momento foi ter-se derretido em lágrimas depois de uma barbeiragem em Monza, há um mês e meio.

Ah, que saudades de Piquet, Mansell, Prost, Senna!

Creio que já escrevi sobre isso antes. Mas não custa repetir. Desprezar a F-1 de hoje porque no passado “era bem melhor” é bobagem. O futebol também era melhor antigamente, tinha Pelé e Garrincha, e nem por isso a torcida do Flamengo deixa de lotar o Maracanã para ver Fabão e Athirson.

Os tempos são outros. Se Irvine e Hakkinen não têm o carisma dos ídolos de dez anos atrás, a rivalidade entre Ferrari e McLaren compensa. O que se vê na F-1 atual é uma guerra de corporações, Fiat e Shell de um lado, Mercedes e Mobil de outro. Há ingredientes suficientes, pois, para transformar a final de Suzuka numa batalha épica, na qual os pilotos deixaram de ser generais para se tornarem soldados de elite. O caráter dos vencedores é que mudou.

Não adianta lamentar. Por isso, todos os anos, desde 94, quando Senna morreu e levou com ele boa parte da paixão do brasileiro pela F-1, tento convencer meus raros leitores que este esporte ainda tem seus encantos.

Se eles não são mais representados por nomes, mas por marcas, não é culpa da F-1. O mundo é que está mais chato. Tinha Churchill e De Gaule, hoje tem Blair e Chirac. Tinha McEnroe e Borg, hoje tem Sampras e Rusedski. Tinha Jordan e “Magic” Johnson, hoje tem Tim Duncan e Shaquille O’Neal. Tinha William e Bernard, hoje tem Pezão e Lilico. Tinha Muhammad Ali e Sugar Ray, hoje tem Popó e Lennox Lewis. Tinha Carl Lewis e Sergei Bubka, hoje tem Nike e Reebok.

A competição, no entanto, não morreu. Seus personagens são outros e se antes lutava-se pela glória, por troféus e medalhas, hoje a disputa é por fama e dinheiro e nada mais. Qualquer semelhança com a vida de todos nós não é coincidência. É o mundo que construímos, nada mais.

ERRADA É A VISTORIA – 22/10/1999

Quando você estiver lendo este texto, a FIA já terá decidido em Paris o destino do Mundial de F-1 deste ano. O resultado do julgamento do caso Ferrari iria sair às 7h de Brasília. Mas, a esta altura, importa menos o desfecho do caso e mais a discussão em torno daquilo que o gerou, levando um campeonato a ser definido nos tribunais, algo abominável em qualquer esporte.

O problema foi 1 cm a menos numa peça de funções aerodinâmicas — ou 3 mm, de acordo com mecânicos ferraristas que estão em Cherating, na Malásia. Não importa a medida, o fato é que o defletor lateral de Irvine e Schumacher estava fora do regulamento.

O que fazer? Punir os pilotos porque alguém fez uma besteira na fábrica? E o que eles têm a ver com isso? E a Ferrari, poderia ser perdoada apenas porque não tinha a intenção de burlar regulamento nenhum? Sim, diriam seus defensores. Além do mais, não houve ganho nenhum de performance, como prova a análise no túnel de vento, etc. e tal.

Por outro lado, de boas intenções o inferno está repleto, alegarão os rivais do time italiano. No futebol, quase nunca um zagueiro tem a intenção de fazer um pênalti, mas faz, e é pênalti e pronto. E se o erro de medida fosse de um metro, e a Ferrari insistisse na não-intenção, ela poderia ser perdoada também? O que vale? O tamanho da irregularidade ou o princípio de punir quem fere o regulamento, independentemente da dimensão do erro? É para isso que existem juízes. Mas existem interesses por trás de todas as decisões, também, e no caso do imbróglio da F-1, há dinheiro na jogada, uma grana preta. Para todo mundo, exceto a McLaren e Mika Hakkinen, seria muito mais legal uma decisão na pista, em Suzuka.

Mas não se pode cometer uma injustiça apenas porque todo mundo acha legal. Melhor seria que a F-1 buscasse mecanismos para evitar que tais problemas acontecessem. As regras devem ser minuciosas, sim, para evitar trapaças. Mas as vistorias deveriam ser feitas antes do início dos treinos de cada GP, às quintas-feiras, quando há tempo para uma checagem detalhada em todos os carros. Uma vez aprovados, só poderiam ser considerados ilegais em casos claros de mudança de componentes depois da quinta-feira.

O argumento mais forte da defesa ferrarista talvez não seja nem a não-intenção de burlar as regras, nem a ausência de ganho de performance com a peça irregular, teses que serão para sempre discutíveis. A equipe tem razão, sim, em alegar que correu com esses carros em Nürburgring, que eles foram checados e “legalizados”, e que se não acharam nada de errado na Alemanha, seria lícito concluir que eles estavam dentro do regulamento na Malásia também.

Errada está a maneira como são feitas as vistorias. E por conta dessa falha de procedimento, um Mundial bonito pode acabar de forma medíocre.

UMA VIAGEM DIDÁTICA – 15/10/1999

Nunca estive na Malásia antes e, provavelmente, jamais viria até aqui se não fosse uma corrida de Fórmula 1. Ainda bem que resolveram fazer este GP. Sugeriria até, se soubesse que alguém dá atenção a minhas sugestões, que em vez de se locupletarem em Miami e Nova York, certos políticos brasileiros se dessem ao trabalho de cruzar o mundo para conhecer este cantão remoto do planeta.

Remoto, claro, do ponto de vista ocidental. Porque a Malásia, assim como Singapura, por onde passei rapidamente a caminho de Kuala Lumpur, está longe de ser o fim do mundo. Fim do mundo é aí.

A Malásia tem 20 milhões de habitantes, um pouco mais do que a Grande São Paulo. Não é um país rico. Até 1957 era colônia inglesa, depois de ter passado pelas mãos dos portugueses e dos holandeses. É difícil unir sob uma mesma bandeira e regime etnias tão diferentes, como chineses, indonésios, polinésios e indianos, além dos descendentes diretos dos europeus. Mas percebe-se que as pessoas se esforçam para fazer dessa sopa algo tragável.

A Malásia é um dos tigres asiáticos combalidos pela crise cambial de 97, mas sobreviveu. E bem, a julgar pelo que se vê em Kuala Lumpur, como o aeroporto, as Petronas Towers (duas torres de 485 metros de altura, os maiores edifícios do mundo), o autódromo, as estradas impecáveis, o centro da cidade florido e arborizado. Há pobreza, sim. Vi barracos na periferia da capital, por exemplo, e alguns mendigos dormindo em galerias subterrâneas.

Mas nada como no Brasil, suas palafitas e favelas, seus famintos e abandonados, seus ricos intragáveis e seus carros blindados. Esse Brasil que a cada dia que passa se distancia do mundo civilizado e se aproxima mais de uma terra sem dono, de um faroeste de quinta categoria com seus desmandos, sua injustiça, sua miséria aviltante.

Não há nada por aí que se compare com a exuberância que vi em três dias de Kuala Lumpur. Ao contrário, o Brasil é um país inacabado e desgraçado por sua própria gente, incapaz de criar um projeto de longo prazo, fracassado em suas idéias e ideais.

Pena que ninguém no Brasil venha à Malásia para ver como é que se faz. Preferem a América. Os videocassetes são mais baratos e a passagem de avião, idem. Aqui também não tem Mickey, nem Pateta. Pois fiquemos com nossos patetas, e vamos em frente.

FOI O PAPA – 08/10/1999

Toca o celular, domingo à noite, na hora da pizza. Ligação internacional, fez bip antes. “Nem vem”, falei, já adivinhando quem estava do lado de lá. “Hoje é domingo, não vou escrever nada, nem fale em voltar a correr, já foi pro vinagre, esquece, o irlandês que se vire.” E espetei minha fatia de calabreza com catupiri, combinação que nem todos apreciam.

“Acho que me precipitei. Você ouviu? Me apertaram, ficaram pressionando, volta logo, volta logo, e eu falei que só no ano que vem. Agora me arrependi, porque estou legal”, ele respondeu. Tomei um gole de chope, pedi mais um ao garçom e desdenhei. “E daí? Aproveita, sai de férias e conserta essa perna, vem pro Brasil, traz a menina e o bebê, vai começar o verão. Tem uma pousada legal em Itaparica que eu conheço.”

“Não, o pior você não sabe”, ele respondeu, sem nem mesmo agradecer a sugestão. “Já estou bom, vou andar amanhã em Mugello, dá pra correr.” Peguei mais um pedaço na fôrma, portuguesa sem cebola, claro, e resolvi encerrar de vez o papo, porque é falta de educação falar ao celular na mesa. “Problema nenhum, chega mancando, sai mancando, diz que tá doendo e me deixa comer.” Ele suspirou e desligou.

Segunda à noite, na hora de Terra Nostra, toca o telefone em casa. Internacional. “E aí, resolveu? Mancou bastante? Chorou de dor?”, perguntei, antes mesmo que ele dissesse alô. “Nada disso, sentei a bota, rodei, bati e não doeu nada”, respondeu, todo animadinho. “Nem vem, queixudo, escrevi na semana passada que você não tinha motivo nenhum pra voltar, fica em casa e não me arruma confusão. Vai voltar pra que, pra ajudar aquele irlandês maluco? O cara falou que você tá fazendo corpo-mole, tenha dó!”, apelei.

Mas o alemão já não me escutava. “Rapaz, o carro tá muito bom, como é gostoso, fui mais rápido que o Eddie, não doeu nada, dá até pra jogar bola. E o pessoal tá pedindo, o Todt, o Luca, os mecânicos, ah, vou voltar sim, acho que vou, tô com saudades…”.

Interrompi-o no momento em que Ana Paula Arósio surgiu na tela pronta para beijar o filho do Raul Cortez. “Espera. Pára. Calma.” “O que foi? Não devo?” “Não, não deve”, eu falei, mas estava me referindo à Ana Paula Arósio. “E por quê? Tô legal”, ele repetia. Veio o intervalo, abaixei a TV e fui incisivo.

“Queixudo, é o seguinte. Já escrevi que você não vai voltar. Que tá baleado, que é muito profissional e que não vai andar se não estiver 100%, fiz um monte de elogios, fui agressivo com um monte de gente que estava dizendo que você era invejoso, não queria ajudar o irlandês. Não vai me desmentir agora. Não quero saber quem pediu ou deixou de pedir pra você voltar, o engenheiro, o presidente, o prefeito! Nem se for o papa!”, gritei, e desliguei.

Parece que o papa pediu.

RALF, MEU CAMPEÃO – 01/10/1999

Andei analisando as atuações dos principais candidatos ao título de 99 e estou pensando em sugerir algo à FIA: que nenhum seja declarado campeão. Ô turminha ruim, essa de 99! Olhando isoladamente as corridas de Monza e Nürburgring, e avaliando o desempenho dos quatro de forma individual, talvez apenas Frentzen possa ser considerado um campeão digno do nome. Isso se não for verdade a história de que desligou sem querer a chave-geral do carro na saída do pit stop na Alemanha, porque se foi, tenha santa paciência.

Vejam Hakkinen: bateu sozinho na Itália quando liderava, uma barbeiragem inominável, e na chuva, domingo passado, parecia um menininho assustado. O Coulthard, em Monza, não conseguiu passar o Rubinho e ficou em quinto, uma posição medíocre, como medíocre foi Irvine, largando em oitavo e chegando em sexto.

No GP da Europa, além do pavor de Mika diante do asfalto molhado, viu-se também outra batida bisonha, de Coulthard, quando era o primeiro colocado. Irvine se arrastou em sétimo, depois de escolher pneus errados, acompanhar de camarote as trapalhadas da Ferrari no pit stop, e não conseguir alcançar o Marc Gené. Da Minardi!

Não, nenhum dos quatro merece o título. Heinz-Harald vá lá, mas para que este texto faça sentido, consideremos verídica a versão do botão apertado na hora errada.

Era ano para Schumacher ganhar. Mas o alemão, igualmente, “barbeirou” em Silverstone (certo, os freios falharam, mas ele podia ter tentado passar o Irvine mais adiante), e se está fora desde julho, tem sua parte de responsabilidade.

Eu daria o título, por merecimento, a outro Schumacher, o Ralf. Tem sido o melhor piloto do campeonato, comete raros erros e em ritmo de corrida é espantosamente rápido, preciso e regular. Já fez 33 pontos para a Williams — aliás, todos os pontos da equipe em 99 — e, com um carro ruim, vem demonstrando que velocidade e habilidade podem ser geneticamente herdados.

Quando Ralf estreou, em 97, lembro que escrevi uma coluna chamando-o de Zoca (para quem não sabe, era o nome do irmão do Pelé, que tentou jogar bola, mas sabe como é, se alguém esperava algo parecido com o mano, caiu do cavalo). Tirava sarro do menino, aquele negócio típico de quem acha que entende das coisas.

Bem que no primeiro ano ele colaborou, fazendo uma besteira atrás da outra na Jordan. Mas na F-1, como na vida, aprende-se. Ralf é hoje um dos melhores pilotos do mundo, no mesmo nível de Barrichello, Villeneuve, Frentzen e Hakkinen, aqueles que fazem parte do segundo escalão da categoria — o primeiro tem Michael Schumacher, e o terceiro, o resto.

Ralf é o meu campeão. Se a BMW fizer um motor legal e a Williams conseguir construir um carro que seja pelo menos razoável desde o começo do ano, fica entre os quatro primeiros no ano 2000, fácil. Podem cobrar.

SCHUMI, O PALPITEIRO – 24/09/1999

Se Schumacher continuar desprezando publicamente as chances de Irvine conquistar o título de 99, é melhor contratar um segurança. Edmond, o Animal, está prestes a ter um chilique diante das últimas declarações do alemão, a quem venerava até algum tempo atrás. Sabe-se que os irlandeses não são lá muito sutis para resolver suas divergências. Irvine está a ponto de chutar a canela de seu ex-companheiro se ele não fechar a boca — da perna direita, a que quebrou.

Ex-companheiro, porque ninguém acredita mais que ambos vestirão o mesmo macacão ainda neste ano. Michael parece estar curtindo a vida em família enquanto se recupera do acidente de Silverstone. Não vai se esforçar muito para voltar na Malásia e no Japão, a não ser que tenha um objetivo muito claro para tal. E não há muitos no horizonte. Recuperar a forma? Pode fazê-lo em testes. Pegar ritmo de corrida? Bobagem, F-1 não é que nem futebol.

Haveria uma única razão para Schumacher voltar: ajudar a Ferrari a conquistar o título. E é o tipo de motivo que não seduz o alemão. Que se dane Irvine, é problema dele. Isso pensa Schumacher, mas não diz. Pensa o mesmo Jean Todt, mas igualmente nunca tais palavras serão ouvidas de sua boca.

Explica-se, de lado a lado. Michael sempre quis ser o responsável por tirar a Ferrari da fila. Jamais colaboraria para que outro piloto tivesse a honra, mesmo que isso signifique mais um ano de jejum para o time que defende.

No caso de Todt, entenda-se a falta de empenho em ajudar Eddie pelo lado financeiro. Foi ele quem sempre defendeu a contratação de Schumacher e sua posição mais do que clara de primeiro piloto. E, como diretor-esportivo da Ferrari, o homem que assinou embaixo quando Michael pediu mais de US$ 30 milhões por ano para dirigir o carro de Maranello.

Gastar tanto dinheiro com um piloto para o outro ganhar o título é algo que não entra na cabeça do francesinho, menos ainda porque considera Irvine um palhaço tagarela e pouco comprometido com a liturgia ferrarista.

Há uma crise no time italiano, isso ninguém nega. Mesmo assim, as chances de conquistar o título permanecem, graças ao festival de bobagens que a McLaren tem promovido nas últimas corridas.

É essa imprevisibilidade do final do campeonato que acabou tornando o Mundial de 99 um dos melhores dos últimos anos. Paradoxalmente, foi preciso que o melhor piloto do mundo se arrebentasse para isso acontecer. Com Schumacher em forma, Hakkinen não cometeria os erros que vem cometendo. A disputa estaria polarizada. Michael quebrou a perna e tirou o time de campo. Voltou nesta semana, na condição de palpiteiro, o que também ajudou a esquentar o clima.

Desde 86 quatro pilotos não lutavam pela taça. Naquele ano, eram Prost, Mansell, Piquet e Senna. Hoje tem-se Hakkinen, Irvine, Frentzen e Coulthard. Não é a mesma coisa, claro. Mas também não se pode querer tudo.