DE ONDE VEM A GRANA? – 06/06/2003

Soube que estão pensando em fazer um campeonato de Maserati no Brasil no ano que vem. Sim, de Maserati. Você tem ideia de quanto custa uma Maserati? Pensei em pesquisar, deu preguiça. É mais do que jamais terei, muitos zeros, algo inatingível.

Também no ano que vem haverá um campeonato de Super Mégane, uns protótipos caríssimos com focinho do carro da Renault, só para eleitos, pilotos conhecidos como Burti, Boesel, essa turma.

Já há um torneio nacional de provas de resistência, “endurance”, como calha dizer num país cheio de falar estrangeiro. (Quem sou eu para criticar isso?, dirá você, com razão. Afinal, esta coluna se chama “Warm Up”, e poderia facilmente ser rebatizada como “Aquecimento”. Além disso, o campeonato de carros antigos que vou disputar se chama “Classic Cars”. Bem, não tenho defesa.) Nessa competição está cheio de Porsche. Sabe quanto custa um Porsche? E um Porsche de corrida? E uma Mercedes que corria no DTM?

E pergunto, especialmente depois de notar o entusiasmo dos organizadores do campeonato de Maserati: quem é que tem dinheiro nesta terra para comprar uma Maserati e colocar para correr? Receita neles, macacada! Para conseguir dez paus para fazer minha carreterinha DKW tive de suar sangue, e ainda paguei em prestações, escondido da mulher!

Sei que esbarro aqui em tema delicado que ofenderia muita gente, fosse eu um colunista lido e/ou levado a sério. Mas como não sou nem uma coisa, nem outra, não haverá ofendidos, muito menos uma devassa da Receita Federal nas contas desse mundo automobilístico brasileiro.

Seria bom. O país passa por um momento propício a devassas. O futebol, ponta mais visível desse iceberg imundo chamado esporte profissional, já está sentindo na pele o peso da seriedade. Neguinho vai ter de prestar contas e parar de meter a mão na cumbuca. O público deixará de ser tratado como gado — e seria bom se passasse, igualmente, a se comportar como gente civilizada.

Há muitos buracos negros no automobilismo nacional. Sei de competições e eventos cujos participantes imploram pela falta de divulgação, para se divertirem sem encheção de saco da lei. A conivência é disseminada, imprensa incluída. Orbita-se em torno de um mundinho onde grana é água. E sempre sobra um troquinho.

Mea culpa feito. Eu, pessoalmente, reconheço humildemente que não tenho disposição para correr atrás de falcatruas, muito menos vocação para fiscal de renda, ou detetive. Não tenho provas de nada, nem casos concretos a relatar, escrevo minhas bobagens e fico quieto no meu canto. Sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no bolso, sem-maserati, sem-porsche e sem-nada-a-perder.

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TODOS DEVEMOS A EMERSON – 05/09/2002

Há 30 anos, no dia 10 de setembro de 1972, Emerson Fittipaldi recebia a bandeira quadriculada em primeiro lugar no GP da Itália, em Monza, e se tornava, nas palavras de seu pai Wilson, “campeão mundial de automobilismo”. Wilson, o Barão, narrava as corridas para a rádio Panamericana. Estava emocionado, claro. Além de ser um brasileiro ali, a ganhar o campeonato, era seu filho, o Rato, que começara a carreira correndo de motocicleta em Interlagos, depois de Malzoni-DKW, Karmann-Ghia, Fitti-Porsche, essa fauna mecânica que forjou a história do automobilismo no país junto com as carreteiras, os Simca, os JK, a equipe Willys, a equipe Vemag, Greco, Lettry & cia.

Todos devemos tudo a Emerson. Quando ele partiu para a Europa, tendo como companheiro apenas o fiel escudeiro Chico Rosa – que viria a ser, anos depois administrador de Interlagos -, ninguém fazia ideia do que seria a vida lá fora. Tentar vencer nas pistas inglesas, nos anos 60, era uma aventura equivalente a sair do Brasil, hoje, para buscar o sucesso em corridas de camelos no Egito. Um salto no desconhecido.

Emerson venceu, e venceu rápido. Ganhou o quinto GP que disputou, em Watkins Glen, e ainda ajudou Jochen Rindt a ficar com o título póstumo – o austríaco, seu parceiro na Lotus, morrera semanas antes em Monza. A conquista de 1972 abriria de vez as portas da Europa para os pilotos brasileiros e, mais importante do que isso, ensinaria aos caboclos a trilha a seguir.

No rastro de Emerson vieram Pace, Wilsinho, Ingo, Piquet, Serra e Boesel, apenas para ficar na primeira leva. Depois Senna, Gugelmin, Moreno, Barrichello, Christian, Diniz, Zonta, Bernoldi e Massa. Devo estar esquecendo um ou outro, mas o que importa aqui não são os outros, mas Emerson. Foram 11 anos na F-1, os últimos cinco envolvido numa aventura ridicularizada na época, mas que hoje, tanto tempo depois, precisa ser reescrita e analisada, a Copersucar. Emerson, com o fracasso da equipe, caiu no ostracismo durante um bom tempo. Chegou a correr de superkart no estacionamento do Pacaembu, e quando já não havia muito a fazer recomeçou a vida nos EUA, num carro cor-de-rosa de um cubano, apresentando a Indy ao Brasil.

De novo o sucesso, títulos, vitórias em Indianápolis. Virou nome de rua em Miami. E começou a fazer bobagens depois que parou de correr. Caiu do ultraleve com o filho pequeno. Coisa de doido, andar de ultraleve poucos meses depois do acidente que encerrou sua carreira, em Michigan. Aí, se meteu com a organização da etapa brasileira da Indy. Nunca funcionou direito. Deixou um rastro de dúvidas e dívidas.

Mas a Emerson, como a Pelé, tudo se perdoa, faça as besteiras que fizer, diga as sandices que disser. Um será sempre Pelé, o outro será sempre Emerson. Eles são nossa história.

“CADA UM COM SEUS POBREMA” – 14/12/2001

Tenho um conhecido, mecânico de automóveis, detentor de sabedoria ímpar e conceitos bastante claros sobre as coisas da vida. Para qualquer discussão ou conversa, o final é sempre o mesmo, frase de cunho universal, à qual não cabe réplica: “Cada um com seus pobrema”.

Chico Anysio contava, numa ótima piada, que “quem diz ter um pobrema já tem dois”. É fato. Mas meu amigo mecânico não se encaixa nessa categoria. O problema de falar problema direito ele já não tem, porque desistiu de pronunciar a palavra como pede a norma culta. Ficou pobrema mesmo, e isso para ele não é problema. E depois, se confrontado com a questão, responderá que “cada um com seus pobrema”, e vai ficar por isso mesmo.

A frase me veio à cabeça após um formidável diálogo numa festinha de criança, que tive na semana passada. O pai de um dos convidados, garoto esperto de três anos, me descobriu como repórter de F-1 e, seguidor das corridas que é, entregou o filhote para a mãe e desandou a falar sobre suas preocupações com o futuro dos brasileiros no campeonato, neste país que já teve Senna e Piquet, blá-blá-blá.

O referido pai elencou piloto por piloto, os que estão lá e os que por algum motivo não vão correr mais. Começou por Barrichello, a ele elogiou, mas concluiu que seu maior problema é ser companheiro de Schumacher, um piloto muito bom.

Sem que eu pudesse dar minha opinião, emendou com Massa. O menino vai estrear no lugar do Raikkonen, a pressão vai ser grande, argumentou. Não deu nem tempo de concordar. O pai pegou uma empada e, ainda mastigando, continuou: e o Bernoldi? Não fez nada neste ano, se não fizer nada de novo vai ficar a pé.

Novamente meus pensamentos sobre o tema foram dispensados, passou uma bandeja de refrigerante, ele deu um gole e antes que eu dissesse qualquer coisa lembrou de Zonta. Veja o Zonta, falou. Teve a chance em dois GPs, só fez burrada e agora é capaz de correr de Stock Car com o Boesel! Gargalhou com a piada meio besta e foi em frente. O Burti: esse se deu bem, arrumou emprego na Ferrari, mas não corre mais. Vai virar um Badoer, um Gené, um Wurz.

O conhecimento do pai do garoto de três anos, confesso, me surpreendeu. Não é qualquer um que cita Gené e Wurz assim, num fôlego só. Foi quando passou a garçonete com quibes e esfihas. Ele pegou dois exemplares de cada, abriu a boca, mas antes de enfiar tudo goela abaixo jogou o tema no ar: e essa história da Penske, hein? O que será do Gil e do Helinho?

Triturando duas esfihas e dois quibes, seria impossível a ele mesmo responder. Era minha deixa. Finalmente eu teria tempo para dizer alguma coisa.

E disse mesmo, com ar grave e definitivo. “Cada um com seus pobrema”. O pai nem engasgou. Concordou comigo, pediu mais um quibe e foi procurar o moleque.

TROCA-TROCA É A SOLUÇÃO – 09/08/2001

Troca-troca é algo sadio. Lembro bem dos anos 70, quando Francisco Horta, presidente do Fluminense, cunhou o termo para dar uma mexida no futebol carioca. E mexeu mesmo. Craques como Carlos Alberto Torres, Doval, Dirceu, Rodrigues Neto, Gil, Paulo Cesar Caju, Pintinho, Cláudio Adão e Marinho Chagas trocaram de camisa. Custos baixos e torcidas motivadas. Jogada de mestre.

Na F-1, os troca-trocas (será que isso tem plural? Trocas-trocas? Trocas-troca? Bem, na dúvida vão os três) são pouco frequentes e bem menos emocionantes. Alesi por Frentzen, por exemplo. Oh, que estouro. Barrichello por Irvine. Puxa, que emoção. De La Rosa por Burti. Caramba, vai ser demais.

Falta criatividade à F-1. Tome-se o caso de Michael Schumacher. Se cumprir seu contrato até o final, terá completado nove anos de Ferrari. Hakkinen está na McLaren desde 1993. Beira o absurdo. As equipes, de quando em quando, deveriam promover trocas-trocas. (Desisto desse plural; vou substituir por swing; não, também não sei o plural de swing. Swings? Suíngues?) Seria a forma mais inteligente de comprovar a real qualidade de determinados pilotos. Em carros e times diferentes, como se comportariam?

Imaginem, só por imaginar, Villeneuve na Ferrari e Schumacher na BAR. Ou Hakkinen na Williams e Montoya na McLaren. Barrichello por Ralf. Coulthard por Tarso Marques! Teríamos grandes momentos. Alguns pilotos, que sempre correram em equipes grandes, revelar-se-iam farsantes históricos. Outros, pobres coitados que nunca tiveram chances, transformar-se-iam em vencedores do dia para a noite.

E se desse errado, tudo bem. Era só trocar todo mundo de novo no ano seguinte. Schumacher da BAR para a Sauber, Raikkonen da Sauber para a Ferrari, Barrichello da McLaren para a Williams, Coulthard da Minardi para a Arrows, Villeneuve da Ferrari para a Jordan, Ralf na Benetton, De La Rosa de volta às touradas, Alesi por Zidane, meta-se o futebol na parada, Trulli por Rivaldo, e vamos em frente.

Claro que seria preciso estar atento aos espertinhos de plantão. Flavio Briatore, por exemplo, tentaria a todo custo repatriar Schumacher para suas fileiras, oferecendo em troca Trulli, Fisichella, Alonso, dois capacetes, um par de luvas, 14 bonés e sete pacotes de macarrão. Mau negócio? Ué, por quê? O Palmeiras não trocou o Neto pelo Ribamar um dia? Não se esqueçam que o mesmo Briatore, meu candidato a Francisco Horta, conseguiu trocar o Moreno pelo mesmo Schumacher, há dez anos.

É isso aí. Que o troca-troca vire regra, e que seja globalizado! Verstappen por Boesel! Bernoldi por Ingo Hoffmann! Chico Serra por Heidfeld! Stallone por Gugelmin!

PREVISÃO – 26/12/1997

Anote aí as minhas previsões para 98, porque não estou com vontade de fazer balanço da temporada, quem faz balanço é banco. Eu normalmente acerto todas, minha margem de erro nos últimos campeonatos tem sido menor do que 2%. E um ótimo ano a todos vocês que tiveram a paciência de me aturar em 97.
Volto em fevereiro, bronzeado pelo sol de Porto Seguro e louco para ver uma corridinha de novo. Tchau.

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Schumacher e Villeneuve vão se reconciliar. Para provar que está sendo sincero, Michael vai pintar o cabelo de amarelo. Jacques, por sua vez, doará um filhote de vira-lata para o alemão. Mas não vai avisar que está cheio de pulgas.

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Rubinho vai reclamar do motor, do pneu, do asfalto, do calor e do hotel. Vai prometer largar entre os oito primeiros e tentar chegar nos pontos. Vai lamentar o azar que o tirou do pódio e, no fim da temporada, dirá que foi um ano de aprendizado e que a equipe cresceu muito.

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Raul Boesel, finalmente, conseguirá sua primeira vitória. Será num campeonato de autorama com os filhos pequenos. Mas o mais velho entrará com um protesto junto à FIA porque o carrinho do papai tinha quatro rodas e o seu, só três.

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Gil de Ferran vai bater o carro oito vezes e no final do ano dirá que se não fossem aqueles azares, seria campeão.

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A FIA vai mudar de novo o regulamento, porque os carros estão muito rápidos. Só serão permitidos freios a lona e câmbios manuais de quatro marchas. Os carros também terão que levar estepe no porta-malas e o pit stop será feito pelo piloto sozinho.

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O Galvão Bueno vai dizer “quando surgir a luz verde” três vezes. E vai chamar Jacques de Gilles 14 vezes.

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André Ribeiro terá que fazer uma plástica para tirar o sorriso do rosto, porque se já dá risada sem ganhar nada, imagine na Penske, faturando uma corrida aqui e outra ali.

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E eu serei pai.

Até o ano que vem.

JÁ DEU, EMERSON – 02/08/1996

Quando Emerson Fittipaldi foi para a Europa, no final dos anos 60, era conhecido pelo mundinho do automobilismo brasileiro como Rato. Corria com qualquer coisa que tivesse um motor e algumas rodas por aqui. Chegou a colocar um motor Porsche num Karmann-Ghia, fabricava volantes esportivos, pilotava motocicletas escondido do pai, se virava.

Tudo, repito, tudo que o automobilismo brasileiro conseguiu em sua história deve a Emerson Fittipaldi. A sua trajetória é conhecida, mas para quem precisa de um refresco na memória aí vai: bicampeão mundial de F-1 em 72 e 74 (foi o mais jovem campeão de todos os tempos, aos25 anos), campeão da Indy em 89, vencedor de Indianápolis em 89 e 93, 14 vitórias na F-1, 22na Indy.
Todos, repito, todos os pilotos brasileiros que um dia fizeram sucesso fora do país devem suas carreiras a Emerson. Senna, Piquet, Gugelmin, Boesel, Christian, Barrichello, André, Gil, e tantos outros. O Brasil não seria um país forte nas pistas se Emerson tivesse perdido o avião que o levou à Europa pela primeira vez, 28 anos atrás.

Pois bem, Emerson parou. Parou no muro de Michigan domingo passado. Tudo acaba e Emerson acabou, ainda bem. Ele faz 50 anos dia 12 de dezembro, é avô, não tem mais idade para correr atrás de fedelhos de 20 anos que aceleram antes e freiam depois.

Sua era acabou, ou talvez seja melhor dizer que suas eras acabaram. A era da F-1 e a era da Indy, ambas descobertas por ele. Quem ficou e quem ainda vier que trate de tentar fazer o mesmo, que trate de ganhar corridas, de ser campeão, de levantar taças, de desbravar caminhos.

Quanto ao seu futuro, Emerson, não se preocupe. Apenas pense em viver e aparecer de vezem quando. Você já fez muito. A todos nós, que o vimos atravessando uma Lotus no Sol, abraçando o Pace no pódio, a todos nós que achamos o máximo suas costeletas e seus óculos escuros, a nósq ue o vimos bicampeão mundial andando de kart no estacionamento do Pacaembu, que o vimos conquistando a América, e a todos nós que o vimos sendo retirado do carro domingo bastou ter nascido. E não ter morrido num muro, porque já chega um acabar assim.

E pra não dizer que não falei das flores nestes dias olímpicos, algumas reflexões. A seleção de futebol pode ser tudo, menos olímpica. Arrogantes, auto-suficientes, sem brios e caráter, os jogadores brasileiros deveriam passar alguns dias ao lado dos judocas, atletas, nadadores, jogadores de vôlei e basquete para entender o que é uma Olimpíada e o que é uma medalha de ouro para um esportista de verdade. Eles não fazem idéia de nada, não foram a uma Olimpíada, e sim a um campeonato que poderia valorizar ainda mais seus passes.

Os rapazes do vôlei comeram grama para chegar às finais. Não chegaram e choraram como crianças. E continuaram a comer grama para tentar um quinto lugar. E o Oscar? Não é preciso dizer nada, apenas olhar para ele para entender o que é um atleta. E as meninas do vôlei e do basquete? Foram os homens que os homens do futebol não conseguiram ser. Aliás, isso soa machista. Na verdade, elas foram as mulheres que nossos homens não conseguiram ser.

O ZAGALO E O EMERSON – 19/07/1996

Vejam só, estamos em 1996 e esta semana, nos jornais, estavam lá, na primeira página, o velho Zagalo e o velho Emerson. Chacoalhei a cabeça, como naqueles desenhos animados, para me certificar se não tinha entrado no túnel do tempo inadvertidamente. Ora bolas, Zagalo e Emerson são personagens dos anos 70, da época da calça boca de sino, da Rose di Primo e dos Fuscas com vidro bolha.

Mas que nada, eram eles mesmos, Zagalo e Emerson, manchete dos jornais, e pensei, onde estão nossos ídolos, os ídolos de agora, como é que esses dois continuam aí, nas primeiras páginas, tanto tempo depois?

É, a gente vive do passado no Brasil, já que o presente ou nos é tirado das mãos, ou é amargo demais para que a gente tenha que se lembrar que vive nele. Zagalo e Emerson, para a maioria das pessoas, trazem boas recordações. O tri no México, a Lotus preta, Ferradura e Curva do Sol, Rita Caddilac.
E tempos bicudos também, de Dops, porões, Vale do Ribeira, Araguaia, só que isso a memória apaga, ou nunca arquivou. Vendo o Emerson e o Zagalo nos jornais, na TV, concluo que o Brasil não mudou muito nesse tempo todo. Como nos 70, a economia vai bem e o povo vai mal, hoje temos telefone celular, mas e daí?, temos carros importados, mas e daí?, o que mudou de verdade?, no que somos melhores?

Acho que às vezes penso demais, e por isso quando escrevo me desvio do assunto a que deveria me ater, que no caso é Fórmula 1, mas sempre arranjo um jeito de chegar nele. Vinte e poucos anos depois de Zagalo e Emerson se juntarem ao Brasil Grande, eis que eles voltam e o Emerson é ainda o maior nome do automobilismo brasileiro.

Não está guiando nada, fim de carreira danado, mas é talvez o único piloto que se resolver passear no Viaduto do Chá ainda será reconhecido. Ele e o Rubinho, se estiver usando boné. Semana passada, quando embarcava para a Inglaterra, cruzei com o André Ribeiro no aeroporto, ele ia para Toronto, e ninguém o abordou, ninguém pediu autógrafo, olha lá o André Ribeiro, nada. Se estivesse lá o Gil seria a mesma coisa, idem com o Gugelmin, o Boesel nem se fala.

O Brasil não liga mais para corridas, nega seu presente, só lembra do Senna, enquanto não aparecer outro igual as corridas vão ficar relegadas a segundo plano. A morte de Senna machucou o país e o bom dia amigos da Rede Globo virou uma sentença fúnebre, que traz más lembranças. Enquanto isso a F-1 se debate para melhorar, para buscar competição, mas não tem adiantado muito. Os últimos GPs foram um saco, e nem isso comove ninguém, porque pouca gente viu. São dias de vacas magras. Outro dia escrevi que estava legal pacas e acho que sequei os caras, porque desde aquele dia não teve corrida nenhuma que prestasse.

Pois bem, Fórmula 1, pela primeira vez em alguns anos admito: está chato pacas, é bom fazer alguma coisa. Pode começar domingo que vem em Hockenheim. Ninguém aguenta mais Williams, Williams e Williams. Ferrari, McLaren, Benetton, mexam-se!